WSL divulga calendário da edição 2024 do Circuito Mundial de Surfe


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A WSL (Liga Mundial de Surfe) anunciou nesta quarta-feira (20) o calendário da edição 2024 do Circuito Mundial de Surfe, que terá nove etapas na temporada regular por causa da disputa dos Jogos Olímpicos de Paris (França). A janela de disputas terá início em Pipeline (Havaí) no dia 29 de janeiro.

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Entre as novidades estão o retorno da etapa de Fiji, após uma ausência de 7 anos, e as saídas do programa de disputas das etapas do Surf Ranch, disputada nos Estados Unidos na piscina de ondas de Kelly Slater, e de Jeffreys Bay, na África do Sul. Já o Brasil continua tendo uma etapa, a de Saquarema, programada para acontecer entre os dias 22 e 30 de junho, a última parada do Circuito Mundial antes das Olimpíadas, que terão como palco os tubos de Teahupo´o, no Taiti.

Já o WSL Finals, etapa final que decide os títulos mundiais da temporada, terá como palco as ondas de alta performance de Lower Trestles (Califórnia), nos Estados Unidos, pelo quarto ano consecutivo. Nas três edições anteriores só deu Brasil, com o título de 2021 de Gabriel Medina e com Filipe Toledo triunfando tanto em 2022 como em 2023. O WSL Finals 2024 será disputado no melhor dia de ondas em Trestles no período de 6 a 14 de setembro.

“2024 será um grande ano para o nosso esporte e nossa programação foi projetada para apoiar isso […]. Os Jogos Olímpicos são um dos maiores palcos do mundo e queremos que nossos surfistas tenham a oportunidade de dar o seu melhor, por isso instituímos o intervalo e ajustamos as datas do CT 2024”, declarou o chefe de esportes da Liga Mundial de Surfe, Jessi Miley-Dyer.

Festival Interculturalidades ocupa equipamentos e ruas de Niterói


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A Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio do Centro de Artes, promove a partir desta quarta-feira (20) a 13ª edição do Festival Interculturalidades, que ocupará Niterói com atrações inteiramente gratuitas. O evento marca a agenda conjunta da Fundação de Arte de Niterói (FAN) e a universidade, após acordo de cooperação técnica firmado entre as instituições. A parceria tem caráter científico, artístico e cultural e visa fortalecer o vínculo das políticas culturais com os territórios e a cidade, movimentando a cena artística do município.

O festival se estenderá até o dia 1º de outubro. A programação completa está disponível no site do Centro de Artes UFF e no portal Cultura Niterói.

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O tema escolhido para a edição 2023 do evento é Inventação, “brincadeira em torno do inventar, que é uma ação”, disse o superintendente do Centro de Artes UFF, Leonardo Guelman, curador do projeto. A palavra inventação foi tirada do escritor Guimarães Rosa para trabalhar a dimensão de que a arte está sempre produzindo, sempre inventando, recriando. “E [esse] é o contexto de Brasil que a gente está. Depois dos últimos anos, se coloca um novo horizonte para a arte, para que ela possa ter esse papel de reinventar o mundo. A arte também tem essa dimensão de criar sentido”. Para Guelman, agora o Brasil volta a procurar um sentido que, de alguma forma, está muito ligado com a multiplicidade de expressões, a diversidade de culturas. “É daí que vem a inventação do Brasil, a partir de suas matrizes, da diversidade do seu povo”, acrescentou.

Rio de Janeiro (RJ) - Festival Interculturalidades, da UFF. - Tom Zé. Foto: André Conti

Tom Zé participa do Festival Interculturalidades, da UFF – Foto André Conti

Guelman informou que durante o período do festival, há uma linha de espetáculos em que são reunidos grandes ícones da poética, como é o caso do tropicalista Tom Zé, no dia 26, às 20h, com um pessoal mais novo do hip hop, como Rico Dalasam, N.I.N.A. Ao mesmo tempo, o evento apresenta mestres como o sambista Nei Lopes, Cátia de França. “É uma programação bem variada”. No próximo domingo (24), haverá o espetáculo Kabaret KarióKa – Teatro do Anônimo, às 19h, no Teatro UFF. No sábado (23), às 16h, terá projeção do Cine Orquestra O Circo – Chaplin.

Filósofo

Nesta quinta-feira (21), às 17h, no Teatro da UFF, haverá a conferência Semear Palavras, do pensador quilombola e filósofo do Piauí Antônio Bispo dos Santos, mais conhecido como Nêgo Bispo, considerado uma das principais vozes do pensamento das comunidades tradicionais do Brasil na atualidade. “A presença de Nêgo Bispo visa, justamente, pensar novas formas de territorializar o Brasil, de pensar a vida social, a produção. É um pensador que vem do chão da terra, oriundo do Quilombo Saco-Cortume, de São João do Piauí”. Para o curador Leonardo Guelman, a marca é diversidade e chão, “a linguagem que vem da terra, e perceber que nessa linguagem que vem da terra também se dá a inovação. A tradição e a inovação não são polos opostos. Elas se recriam. Toda inovação parte da tradição e esta não está fixada. Ela se move, se recria. Daí a inventação”, afirmou Guelman.

Rio de Janeiro (RJ) - Festival Interculturalidades, da UFF. - Nêgo Bispo. Foto: Murilo Alvesso

Rio de Janeiro – Festival Interculturalidades, da UFF. – Nêgo Bispo. Foto Murilo Alvesso

Os shows que vão abrir a programação diária são feitos por artistas de Niterói, como André Jamaica, Joca. Tudo é gratuito para o público. Nesta quarta-feira (20), por exemplo, às 19h, se apresentarão o bandolinista Hamilton de Holanda e Mestrinho, nos jardins da reitoria, espaço aberto, convidando todo o público para participar e interagir nesta 13ª edição do Interculturalidades. O festival envolverá múltiplas expressões culturais, como apresentações musicais e teatrais, conferências, cursos e desfiles. Participarão também os coletivos artísticos Orquestra Sinfônica Nacional UFF e Companhia de Ballet de Niterói.

Afetividades e Olhares

Nesta quarta-feira (20), às 17h, o Espaço UFF de Fotografia abrirá a exposição Afetividades e Olhares. Serão exibido trabalhos de 12 fotógrafas brasileiras contemporâneas de 11 estados do país, com trajetórias e linguagens específicas, que revelam diferentes olhares em torno da cultura nacional e do tema do afeto. As artistas são Aziza Xavier (Minas Gerais), Marcela Bonfim (Rondônia), Raquel Bacelar (Bahia), Cristal Luz (Alagoas), Raquel Gandra (Rio de Janeiro), Daniela Paoliello (Minas Gerais), Ilana Bar (São Paulo), Ana Mendes (Amazonas/São Paulo), Marília Oliveira (Ceará), Isabella Lanave (Curitiba), Ingrid Barros (Maranhão), Dayse Euzébio (Paraíba).

Essa exposição é uma extensão do projeto Galeria Mundo, realizado em abril deste ano em três cidades fluminenses – Rio de Janeiro, Teresópolis e Cabo Frio. Maiores informações sobre o projeto são obtidas no catálogo online gratuito, que pode ser acessado aqui.

Estão programados ainda curso de percussão e oficina de teatro com Amir Haddad, entre outras atividades. O encerramento do festival está previsto para ocorrer no dia 1º de outubro, na Rua Presidente Domiciano, em frente ao Solar do Jambeiro.

O presidente da Fundação de Artes de Niterói, Fernando Brandão, destaca a relação do projeto com a cidade, uma vez que as atividades envolvem o Centro de Artes UFF, a Sala Nelson Pereira dos Santos, o Museu Janete Costa de Arte Popular, além da ocupação de espaços urbanos, como as ruas em frente ao Solar do Jambeiro. Ele diz que para a fundação, é muito importante valorizar o reconhecimento desse saber tradicional e promover uma troca entre artistas de renome e tradicionais com os músicos e a comunidade local. Brandão lembra que a prefeitura reconhece a importância de serem ocupados não só os equipamentos culturais, mas também os territórios, praças e ruas da cidade com eventos como o Interculturalidades.

Animações digitais da Pixar podem ser vistas no Rio e Belo Horizonte


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Embora esteja há quase 40 anos no mercado de animação digital, ainda há muita criança e muito adulto que não viu nenhuma produção do estúdio Pixar no cinema mas só em DVD, blu-ray (disco óptico, alternativa do DVD) ou no streaming (transmissão de conteúdo online). A mostra A Magia dos Pixels – Espelhos Animados da Realidade é o momento de as crianças assistirem as produções no cinema e os adultos reverem seus filmes prediletos. “Porque é muito difícil os clássicos da Pixar passarem novamente na tela grande. Então, (a oportunidade) é especial”, comentou, em entrevista à Agência Brasil, um dos curadores da exposição, Eduardo Reginato.

A mostra começa nesta quarta-feira (20) simultaneamente nos centros culturais Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB RJ) e em Belo Horizonte e vai até o dia 16 de outubro, seguindo depois para São Paulo (de 4 a 30 de outubro). A exposição já esteve em Brasília nos meses de julho e agosto. Os ingressos para as sessões de cinema no CCBB RJ custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada) e podem ser adquiridos na bilheteria física ou no site do CCBB, a partir das 9h do dia da sessão. No dia 12 de outubro, aniversário do CCBB RJ e Dia das Crianças, a entrada será gratuita. As demais atividades são gratuitas para todo o público e os ingressos devem ser retirados uma hora antes do início de cada atividade na bilheteria do CCBB RJ.

Programa

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Serão apresentados 22 longas-metragens, seis curtas e o documentário A História da Pixar, produzidos pelos estúdios Pixar. Os filmes serão exibidos em cópias dubladas para atender principalmente as crianças. Na estreia da mostra, haverá um debate com a atriz dubladora Miriam Ficher e o crítico de cinema e pesquisador Luiz Baez, com mediação de Eduardo Reginato. A programação completa pode ser acessada aqui.

18/09/2023, Cena do filme Procurando Nemo. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar

Cena do filme Procurando Nemo, apresentado na mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Nos dias 23 de setembro e 14 de outubro, haverá a Oficina Lúdica para Crianças, com o animador de filmes Alexandre Juruena, na qual os participantes aprenderão a esculpir e modelar com diversos materiais, como argila e massinha, bonecos inspirados em personagens do universo Pixar. As crianças verão que o processo de animação digital utiliza diversas técnicas que envolvem desde desenho, pintura, modelagem, até chegar ao software (programa de computador). Haverá também sessões com recursos de acessibilidade nos dias 25 de setembro e 4 e 9 de outubro.

Cosplayers caracterizados de personagens dos filmes da Pixar estarão passeando pelo CCBB RJ nos dias 30 de setembro, 7 e 12 de outubro e tirando fotos com o público. São eles respectivamente, Merida, do longa Valente; Violeta, Edna e Flash, do filme Os Incríveis; e Jessie e Wood, de Toy Store. Cosplayers são pessoas que usam fantasias e acessórios para representar um personagem específico. Haverá ainda uma sessão comentada de Divertida Mente pelo curador Fabrício Duque, no dia 27 de setembro.

O começo

A Pixar Animation Studios é um estúdio americano de animação por computador com sede em Emeryville, na Califórnia. Sua história começou em 1976 como parte da divisão de computadores Lucasfilm, do diretor e produtor cinematográfico George Lucas, criador das franquias Star Wars e Indiana Jones. “O sucesso de Star Wars foi tão grande que ele começou a desenvolver a ideia de aliar efeitos especiais com animação digital. Depois de um tempo, montou uma equipe para trabalhar com animação digital”, relatou Eduardo Reginato. O primeiro curta-metragem produzido pelo grupo foi As Aventuras de André e Wally B., dirigido por Alvy Ray Smith.

18/09/2023, Cena do filme Valente. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar

Cena do filme Valente, apresentado na mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Lucas buscou então um investidor e acabou vendendo o setor de animação para Steve Jobs, cofundador da Apple, que se tornou acionista majoritário. O primeiro curta tendo Jobs como investidor foi Luxo Jr. (1986), dirigido por John Lasseter, no qual um pequeno abajur tenta se divertir com um novo brinquedo, mas não consegue entender direito como ele funciona. Enquanto isso, o abajur maior se diverte observando. “A luminária acaba virando, depois, a marca registrada da Pixar”, comentou o curador. Atualmente, a Pixar pertence aos estúdios Disney, que a comprou em 2006.

Reginato informou que o primeiro curta de animação digital a ganhar o Oscar foi Tin Toy (1988), dirigido também por John Lasseter, que narra a rotina diária de um brinquedo de lata, que é interrompida por um bebê intrometido que o persegue. Esse curta deu origem ao longa Toy Store, em 1995, que conta as aventuras do caubói Woody e do astronauta Buzz Lightyear, que competem pela atenção de Andy, o dono dos brinquedos. “Esse foi o primeiro longa de animação digital da história do cinema. O título não foi do brasileiro Cassiopeia, de 1996, por uma diferença de seis a sete meses”, destacou Reginato.

O curador lembrou que a mostra é independente e não está relacionada às comemorações do centenário dos estúdios Disney.

Afetividade

“A ideia da mostra é expor os espelhos animados da realidade. Porque o que faz a aproximação do público infantil e adulto com a Pixar é o fato de eles conseguirem pegar vários elementos da realidade das crianças e dos adultos, às vezes complexos, desde o luto, a morte, a inveja, a intolerância, o preconceito, o etarismo, e trabalhar todos esses elementos de forma lúdica para colocar, para todos, pontos de reflexão. Você tem contato com certos temas tabus, difíceis, e tem ali uma reflexão humanística e afetiva. É uma forma de ver o mundo, de ter esperança sobre esse mundo, de maneira mágica, intensa”, afirmou o curador.

Um exemplo é UP Halter, que é uma ode à boa idade e contra o preconceito em relação aos mais velhos. Outro é Wall-e, que traz mensagem pela união das pessoas contra a devastação do meio ambiente. O próprio Toy Store fala sobre diferenças, perdas, luto, da mesma forma que Procurando Nemo. No longa Valente, a Pixar aborda o protagonismo feminino e a luta contra os padrões patriarcais.

“Essa é a magia da Pixar. A realidade é difícil, mas para tudo há uma solução afetiva, passível, desde que se tenha amor, união, compreensão”. Eduardo Reginato disse que uma coisa que está presente em todos os filmes da Pixar e que o mundo não tem é “você olhar para o outro; ver o outro não como um inimigo ou alguém diferente, mas como um igual e que, a partir da união, o mundo se modifica para melhor”.

18/09/2023, Cena do filme Monstros SA.. Mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto: Disney/Pixar

Cena do filme Monstros SA., apresentado na mostra A Magia dos Pixels, no CCBB RJ. Foto Disney/Pixar

Ele ressaltou que a animação digital une arte e tecnologia de forma muito intensa e interessante. Cada elemento da arte e da tecnologia é feito de modo preciso. O homem que administra a Pixar até hoje, John Lasseter, assegura que o mais importante é a história. “Se você dá atenção à história, cria mais uma animação sensacional”. Segundo Lasseter, a história tem que tratar o público com respeito e, ao mesmo tempo, respeitar a inteligência desse público, seja ele infantil ou adulto.

Catálogo

A mostra Magia dos Pixels: Espelhos Animados da Realidade oferece gratuitamente um catálogo em PDF, que já pode ser baixado no site da exposição. Haverá também o catálogo impresso, em número limitado, que poderá ser trocado por dez ingressos de filmes diferentes. A publicação conta toda a história da Pixar e dos filmes que estarão na mostra.

Os curtas-metragens que serão exibidos são As Aventuras de André e Wally B. (1984); Luxo Jr. (1986); O Sonho de Red (1987); Tin Toy (1988); Knick Knack (1989); O Jogo de Geri (1997). Entre os longas-metragens estão incluídos Toy Story (1995); Vida de Inseto (1998); Toy Story 2 (1999); Monstros S.A. (2001); Procurando Nemo (2003); Os Incríveis (2004); Carros (2006); e Ratatouille (2007).

Estudo mostra como sistemas alimentares agravam e enraízam iniquidades


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Desigualdades de raça, gênero e classe social contribuem para diversas violações do direito à alimentação e à nutrição adequadas, afetando de forma mais intensa negros, mulheres e crianças, além de pessoas com mais baixa renda. A conclusão é do estudo Prato do Dia: Desigualdades. Raça, Gênero e Classe nos Sistemas Alimentares, divulgado pela Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (Fian). 

O trabalho foi conduzido entre 2022 e 2023 por cinco pesquisadores e analisa dados pré-pandemia (período entre 2017 e 2018) coletados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de textos públicos de organizações de diferentes setores da sociedade – comercial, movimentos sociais, entidades profissionais e academia.  

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Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora do estudo, Veruska Prado, destacou que as desigualdades no acesso, no consumo e na produção de alimentos atualmente são tratadas de forma generalizada e, em alguns momentos, até mesmo naturalizadas. “O tema das desigualdades de raça, gênero e classe está presente no discurso de diferentes segmentos da sociedade brasileira. A grande questão é que isso é algo que está tão presente na formação do Brasil e no cotidiano dos brasileiros e brasileiras.” 

“Todos nós, quando saímos de casa, acabamos vendo pessoas em situação de rua, sabemos de pessoas que estão passando fome e outras violações aos direitos humanos a que a gente cotidianamente assiste. Isso está um pouco naturalizado, como se fosse uma situação impossível de ser modificada. Então, o tema é tratado”, disse Veruska.  

A pesquisadora alerta para a necessidade de uma abordagem mais específica nas falas sobre desigualdades relacionadas ao acesso à alimentação. “Todas as organizações da sociedade civil, sejam aquelas vinculadas ao setor privado, ao setor público, aos movimentos sociais e à academia trazem esse tema. No entanto, essa forma de trazer está generalizada e não é específica. A questão da alimentação, por interferência de raça, gênero e classe social, mesmo dentro desse grupo, precisa ter olhares diferenciados.” 

“Há, dentro desse grupo de pessoas em situação de maior vulnerabilidade para segurança alimentar, pessoas ou grupos de indivíduos que têm riscos maiores de isso acontecer em suas vidas. Por que isso acontece? A explicação que a gente está trazendo é que são questões estruturais no Brasil relacionadas à raça, gênero, desigualdades existentes no acesso ao mercado de trabalho e na garantia de meios para a sobrevivência e vida digna.” 

Veruska lembrou que o período analisado no estudo inclui a fase anterior à pandemia de covid-19 e disse que, mesmo naquela época, já havia indicativos de que lares chefiados por mulheres, por exemplo, vivenciavam fome e outras formas de insegurança alimentar, como o medo de não ter acesso ao alimento até o final. Outra realidade identificada pelos pesquisadores nesse período inclui adaptações alimentares nas famílias, como quando a mulher passar a comer menos pra que as crianças possam manter sua alimentação.  

“No mundo de hoje e no Brasil que a gente tem, pós-pandemia, com o tanto de gente que ainda está em situação de fome, não dá mais para a gente tratar as desigualdades do ponto de vista de algo generalizado na população. Dentro das pessoas que estão passando fome e em situação de insegurança alimentar, com violação do seu direito humano à alimentação e nutrição adequadas, é fundamental que a gente seja mais assertivo e específico nas nossas ações”, concluiu.

Brasileiro: Fluminense e Cruzeiro medem forças no Maracanã


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Fluminense e Cruzeiro medem forças, a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (20) no estádio do Maracanã, em jogo válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será transmitida ao vivo pela Rádio Nacional.

Após perder o clássico para o Vasco no último sábado (16), a equipe comandada pelo técnico Fernando Diniz volta suas atenções para o confronto desta quarta diante do Cruzeiro. O Tricolor das Laranjeiras chega confiante, pois tem uma longa invencibilidade como mandante, sequência que iniciou em janeiro. A última derrota nesta condição foi diante do Botafogo em jogo pelo Campeonato Carioca.

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Porém, o maior foco de atenção dos tricolores está mesmo na Copa Libertadores, competição na qual a equipe vai bem e disputará, a partir da próxima semana, contra outro time brasileiro, o Internacional, a vaga para a grande decisão. Enquanto o decisivo confronto pela competição sul-americana não chega, o Fluminense encara o Cruzeiro pelo Brasileirão com a possibilidade de terminar a rodada em terceiro lugar em caso de vitória.

O auxiliar Eduardo Barros, em coletiva após o revés para o Vasco, defendeu a ideia de não correr riscos nesta quarta: “Temos uma semana aberta após o jogo contra o Cruzeiro e obviamente não correremos nenhum risco clínico pensando no primeiro jogo da semifinal da Libertadores. Mas vamos sim com os melhores jogadores que estiverem à disposição”.

A equipe das Laranjeiras tem um desfalque de peso para a partida: o meia-atacante colombiano Jhon Arias, que lesionou o tornozelo direito no clássico com o Vasco, está fora. O atacante Germán Cano e o meia Ganso são dúvidas para o jogo. Cano sentiu dores no tornozelo esquerdo diante do Cruzmaltino e Ganso não joga desde a partida contra o Olimpia (Paraguai), pelas quartas de final da Libertadores. Já o lateral-esquerdo Marcelo deve ser preservado deste jogo.

Por outro lado, o Fluminense contará com os retornos do técnico Fernando Diniz, do lateral-direito Samuel Xavier e do zagueiro Felipe Melo, que estiveram fora do último jogo. Dessa forma, o Fluminense deve ir a campo com: Fábio; Samuel Xavier, Nino, Felipe Melo e Diogo Barbosa; André, Alexsander e Lima; Keno, John Kennedy e Cano.

Em 11º lugar na tabela de classificação do Brasileiro, o Cruzeiro chega motivado para a partida. Isso acontece porque na estreia do técnico Zé Ricardo a equipe conseguiu uma vitória convincente sobre o Santos, em plena Vila Belmiro na última quinta-feira (14). O Cabuloso conseguiu um sonoro 3 a 0 e voltou a vencer na competição. A equipe luta contra o rebaixamento e projeta uma boa campanha neste segundo turno.

O zagueiro Luciano Castán levou o terceiro cartão amarelo diante do Santos e desfalca o Cruzeiro nesta partida. Sendo assim, o provável Cruzeiro tem: Rafael Cabral; William, Neris, Lucas Oliveira (João Marcelo) e Marlon; Matheus Jussa, Lucas Silva e Mateus Vital; Arthur Gomes, Wesley e Gilberto.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Fluminense e Cruzeiro com a narração de André Marques, comentários de Mário Silva, reportagem de Maurício Costa e plantão de Bruno Mendes. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

* Colaboração de Pedro Dabés (estagiário) sob supervisão de Paulo Garritano.

Coberturas vacinais estão melhores que em 2021 e 2022, diz SBIm

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Novidades como as vacinas para a dengue e para o vírus sincicial respiratório, além dos obstáculos já conhecidos do Programa Nacional de Imunizações (PNI) como o antivacinismo e a hesitação vacinal serão temas de discussão entre especialistas que vão se reunir de quarta-feira (20) a sábado (23) em Florianópolis,


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 Santa Catarina, na Jornada Nacional de Imunizações.

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Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Mônica Levi, diz estar otimista em relação à retomada das coberturas vacinais, cuja queda já começou a ser revertida.

“É um trabalho bem árduo, porque quando você consegue causar medo e desconfiança, é muito difícil retomar isso. Mas sou uma pessoa otimista, acho que estamos caminhando. As coberturas vacinais já estão melhores que em 2021 e 2022. Acho que vamos conseguir, mas recuperar todo o estrago demora um pouco para voltarmos a ser um exemplo”, avalia.

19/09/2023, Presidente da SBIm, Mônica Levi.  Coberturas vacinais já estão melhores que 2021 e 2022, diz SBIm. Foto: SBIm/Divulgação

Presidente da SBIm, Mônica Levi. Coberturas vacinais já estão melhores que 2021 e 2022, diz SBIm. Foto:


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A sociedade científica é a organizadora da jornada que será realizada


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 no ano em que o PNI completa meio século de vida. Para além de celebrar, o evento vai contar com um fórum especial de saúde pública em que representantes do Ministério da Saúde, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e secretarias municipais e estaduais de saúde discutirão os próximos passos para a retomada das coberturas vacinais.

Confira a entrevista completa:

Agência Brasil: Nos últimos anos, a jornada foi realizada no contexto de queda das coberturas vacinais, pandemia de covid-19, aumento do antivacinismo e, agora, com a vacinação de volta às prioridades do Ministério da Saúde. Esses temas deixaram o evento mais “quente”, com discussões que despertaram maior interesse? Se, sim, como essa expectativa impactou a própria organização?
Mônica Levi: Eu não tenho essa percepção. Inclusive estamos com um número de inscritos menor que o habitual, mas tem a questão da localização, de ser no Costão do Santinho [em Florianópolis], em um lugar de mais difícil acesso, principalmente para o Norte e Nordeste, e um lugar mais caro. Então, o número de participantes vai ser menor. Agora, para os profissionais da Saúde, esse tema é quente. Nós estamos sempre discutindo e, inclusive, organizando um fórum de saúde pública que é a última atividade do evento, um fórum interativo com PNI, Unicef, Opas, Conass, Conasems, para dar um fechamento na jornada sobre muitos temas. Um fechamento que não é teórico, mas sobre o que podemos nos unir para fazer e que não estamos fazendo até agora. Agora, acho que saturou esse tema na mídia geral. Quando vejo postagem sobre o risco de retorno das doenças controladas no passado pelas baixas coberturas, a minha impressão é de que não tem dado mais ibope na população em geral. Acho que quem se interessa já foi contemplado e já leu, mas a gente ainda não reverteu esse cenário, e o tema tem que continuar sendo falado, tem que continuar vendo os obstáculos. E para os profissionais de saúde interessados o tema é quente, como sempre. As dificuldades na vacinação da covid, a nova variante, o aumento do número de casos. Tudo isso continua sendo assunto atual.

Agência Brasil: Nesse cenário de desgaste do tema que você menciona, a comunicação fica ainda mais complicada. É preciso discutir uma inovação na comunicação?
Mônica Levi: Sem dúvida. É preciso inovar para sensibilizar de outra forma, ir a pessoas que não estão se importando e achando que a informação não é com elas. As estratégias todas têm que ser repensadas. Estamos em um momento em que a comunicação tem que ser diferente, não tem como fazer como era antes e dava certo.

Agência Brasil: A jornada também vai ser um momento de avaliar os obstáculos e os primeiros resultados dessas ações de microplanejamento e multivacinação lideradas pelo Ministério da Saúde?
Mônica Levi: Tem bastante espaço dentro da jornada para a saúde pública. Nos 50 anos do PNI e nos 25 da SBIm estamos de mãos dadas. Então, essas temáticas vão ser muito discutidas. Esse microplanejamento já vem acontecendo, com ações pontuais em locais pontuais, diferenciados, e entendendo que o Brasil tem diversas realidades e que é necessário o microplanejamento para atender a todas as demandas e obstáculos, que são diferentes de uma região para outra.

Agência Brasil: Sendo essa a primeira jornada desde a decretação do fim da pandemia de covid-19, já vai ser possível fazer uma avaliação mais conclusiva sobre a pandemia e o papel da vacinação no controle dela?
Mônica Levi: Não é um tema que eu diria ser o principal. Tem muitas outras coisas, estratégias para a eliminação de meningococos, de HPV e câncer de colo de útero, novas vacinas e novos agentes infecciosos, como o vírus sincicial respiratório, que foi o vírus que causou mais casos de doenças graves e internações de crianças no pós-pandemia. Tem nova vacina de pneumonia, o herpes zoster, que tem vacina no privado, a dengue, com o lançamento de uma nova vacina. Temos novas vacinas incorporadas no calendário da SBIm e no PNI, mudanças de recomendações nos CRIE [Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais]. O programa da jornada está muito completo, com tudo isso incorporado. Não é só covid. Ano passado já tivemos uma jornada presencial, e acho que não mudou muita coisa. O que mudou foi que a OMS decretou o fim da emergência em saúde pública, mas não mudou muita coisa. Mas é claro que vai ter. A primeira mesa já é sobre a covid e o que esperar. A covid não é o foco.

Agência Brasil: E qual tema você destacaria como um dos focos?
Mônica Levi: Um assunto muito importante que vai ser tratado é a hesitação. Esse obstáculo que não é novo, mas foi superlativado na pandemia, principalmente quando chegaram as vacinas de covid-19. A gente começou a ter recusa de vacinação e hesitação com essas plataformas novas e tudo o que veio como questão política que interferiu muito e deixou o Brasil super dividido. É um trabalho bem árduo, porque quando você consegue causar medo e desconfiança, é muito difícil retomar isso. Mas sou uma pessoa otimista, acho que estamos caminhando. As coberturas vacinais já estão melhores que em 2021 e 2022. Acho que vamos conseguir, mas recuperar todo o estrago demora um pouco para voltarmos a ser um exemplo.

Agência Brasil: Esse antivacinismo que chegou contra as vacinas de covid já atingiu outras vacinas do PNI?
Mônica Levi: Com certeza já respingou. As pessoas começaram a desconfiar de onde vem a matéria-prima, os insumos, desconfiar politicamente. Respingou, sim.

Agência Brasil: Nestes 50 anos de PNI, o Zé Gotinha é um dos protagonistas e voltou a ser tratado como um símbolo nacional. Como vocês têm visto o resgate desse personagem?
Mônica Levi: Eu vejo de uma maneira muito positiva, porque ele é um ícone. Todo mundo quer tirar foto com o Zé Gotinha, por mais que de certa forma ele possa ser démodé para uma outra geração. Não sei o quanto um adolescente se sente estimulado a se vacinar contra o HPV com o Zé Gotinha chamando. A gente também tem que pensar nisso, as vacinas não são só de crianças. Temos para todas as faixas etárias, e temos que ter uma maneira de conversar com todas as idades. Mas o Zé Gotinha é um ícone e a presença dele nos eventos é fundamental.

Agência Brasil: Em relação às novidades, os avanços nas vacinas contra arboviroses como a dengue e a chikungunya estão entre as principais novidades?
Mônica Levi: Vai haver esse tema, principalmente sobre a dengue, porque a vacina já está aí. Mas também falando de zika e chikungunya. Mas essas não são as principais. Temos a vacina do vírus sincicial respiratório, HPV nonavalente, pneumocócica-15. São temas que serão bastante abordados.

Agência Brasil: As clínicas privadas estão perto de receber vacinas contra o vírus sincicial respiratório?
Mônica Levi: Ainda não tem, mas está prestes a chegar. Ela já está sendo liberada pelo FDA [agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos], e alguns países já estão utilizando a vacinação materna para proteger o bebê, a vacinação com anticorpo monoclonal para o bebê, em dose única, e para o idoso. Então, tem coisas novas chegando.

Agência Brasil: E a SBIm já está discutindo como recomendar essa vacina em seus calendários?
Mônica Levi: Só quando estiver mais próximo que a gente começa a discutir tecnicamente e definir as nossas posições. Ainda não estamos fazendo isso, estamos lendo e acompanhando o passo a passo. Mas, por exemplo, a pneumo-15 já estava no calendário da SBIm antes de a vacina estar disponível.

Agência Brasil: O antivacinismo também tem sido percebido nas clínicas privadas? Há menos procura? Mais dúvidas?
Mônica Levi: Com certeza. As clínicas do Brasil, as que não fecharam, estão com o movimento bastante reduzido comparativamente a antes da pandemia. Muitas clínicas fecharam e outras estão tentando se manter, mas o movimento das clínicas no Brasil inteiro diminuiu muito.

Agência Brasil: Então, há uma crise nas clínicas privadas de vacinação?
Mônica Levi: Sim, com certeza.

*O repórter viajou para Florianópolis a convite da SBIm para cobrir a Jornada Nacional de Imunizações