Hamas propõe troca de reféns por todos os palestinos presos por Israel


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O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinouar, disse neste sábado (28) que estava pronto para concluir “imediatamente” uma troca dos reféns que o movimento palestino detém por “todos os prisioneiros palestinios” detidos por Israel.

“Estamos prontos para concluir imediatamente uma troca para libertar todos os prisioneiros nas prisões do inimigo sionista em troca de todos os reféns nas mãos da resistência”, declarou Sinouar num comunicado divulgado pelo movimento Hamas.

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No ataque que deu início à guerra contra Israel, o grupo palestino sequestrou cerca de 200 pessoas, além de ter matado 1,4 mil. Desde então, Israel tem realizados ataques cada vez mais intensos à Faixa de Gaza, região da Palestina controlada pelo Hamas. Mais de 7 mil civis palestinos já morreram com a guerra.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse à imprensa hoje que os esforços para garantir a libertação de dos reféns continuarão mesmo durante a ofensiva terrestre contra o Hamas em Gaza.

Questionado se os contatos para libertar os reféns continuariam mesmo durante a ofensiva terrestre, Netanyahu respondeu: “sim”.

Sobre a proposta de troca de reféns por prisioneiros palestinos, ele disse que foi discutida no gabinete de guerra israelense, mas se recusou a entrar em detalhes, dizendo que revelar seria contraproducente. 

*Com informações das agências RTP e Reuters

 

Jovens kayapó fazem elo da ancestralidade com modernidade cultural


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Além de ser responsável pela curadoria da exposição Mekukradjá Obikàrà: com os pés em dois mundos, o coletivo Beture – movimento dos Mekarõ opodjwyj, composto por cineastas e comunicadores indígenas Mẽbêngôkre-Kayapó – produziu o material da mostra, que faz o elo entre a ancestralidade e indígenas mais jovens desta etnia. A exposição – aberta neste sábado (28), no mezanino do Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói, no estado do Rio – segue até o dia 26 de novembro.

Beture é o nome de uma formiga de cabeça vermelha e a traseira preta, encontrada no território Kayapó, cuja característica é uma mordida bastante potente. Ela tem as mesmas cores usadas pelos indígenas da etnia quando se pintam para a guerra.

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“A juventude Mẽbêngôkre-Kayapó deseja registrar a vida e a cultura de seu povo por meio de tecnologias audiovisuais e diversas mídias. Hoje, o coletivo desempenha um papel fundamental na conquista de reconhecimento cultural, assim como na visibilidade das estruturas políticas”, informaram os organizadores da mostra.

Audiovisuais

Desde 2015, quando surgiu, o Beture contribui para organizar e estruturar um movimento da juventude que vem se espalhando por muitas comunidades indígenas. Desde então, formações audiovisuais têm sido realizadas para potencializar as produções do coletivo e ofertar aos cineastas mais conhecimento sobre as técnicas de captação de imagens, de roteirização e edição.

O material da exposição com fotos e vídeos do acervo do coletivo foi obtido pelos cineastas kayapó em viagens por algumas aldeias e retrata a transformação da cultura do povo Mebêngôkre-Kayapó, que habita seis terras indígenas no sul do Pará e no norte de Mato Grosso. A mostra tem ainda três telas pintadas por 15 mulheres Kayapó durante o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2023, que ocorreu entre 24 e 28 de abril, em Brasília.

“As histórias a gente juntou na parte de vídeos como os nossos avós foram antigamente e não estão mais presentes e, com isso, nós jovens estamos com o objetivo de trazer isso, reviver [a cultura] e fortalecer mais ainda”, contou a kayapó Kokokaroti Txukahamãe Metuktere, em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil.

Niterói (RJ), 27/10/2023 – A comunicadora e integrante do Coletivo Beture, Kokokaroti Txucahamãe Metuktire durante visita à exposição Mekukradjá Obikàrà: com os pés em dois mundos, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Niterói (RJ), 27/10/2023 – A comunicadora e integrante do Coletivo Beture, Kokokaroti Txucahamãe Metuktire durante visita à exposição Mekukradjá Obikàrà: com os pés em dois mundos, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

Por causa dos estudos, a jovem kayapó, de 22 anos, que integra o coletivo, passou a viver fora da Aldeia Capoto na Reserva Capoto-jarina e foi morar em Colniza, uma cidade próxima em Mato Grosso. Ela disse que, mesmo fora do local de origem, é possível manter as tradições culturais.

“Muitas vezes pode ter um jovem que se pergunta se vai perder a sua cultura, só que não. Você pode preservar a cultura usando o conhecimento indígena”, observou, acrescentando que já tem algumas formações, mas pretende fazer universidade, mais especificamente, curso de cinema.

Por meio do trabalho de pesquisa para a exposição, Kokokaroti pôde ver pela primeira vez a imagem do avô.

“Esse momento que estamos tendo aqui nessa exposição, a gente buscou, correu atrás de cada das imagens e, principalmente, eu vi uma foto do meu avô, que eu não tive oportunidade de conhecer, nem a luta dele. A gente encontrou as imagens de cada liderança, todas tiveram vozes importantes naquela época. A gente conheceu umas culturas, tipo danças tradicionais que aconteciam naquela época e não acontecem mais. Com esse objetivo, eu quero buscar conhecimento sobre cinema”, explicou.

Machismo

A jovem destacou ainda a presença das mulheres entre os kayapó. Segundo Kokokaroti, atualmente elas têm atuado de forma conjunta e isso ajuda a combater o machismo nas comunidades.

“É uma coisa muito importante ter a presença da mulher dentro dos espaços, porque existe muito machismo que a gente enfrenta e agora estamos nos juntando mais para ocupar espaço, fortalecendo [as mulheres] dentro da comunidade da aldeia e nos estudos”, observou.

Para Kokokaroti Txukahamãe Metuktere, os cantos tradicionais que vê dos antepassados e os cortes de cabelos das mulheres e dos homens são as representações que mais caracterizam a cultura kayapó. “[Isso] é iniciado pelos nossos antepassados e nossos avós. É um símbolo nosso mesmo e o corte tradicional da mulher, que o homem também pode fazer”, afirmou.

Profissionalização

Como forma de garantir uma fonte alternativa de renda para o povo Mẽbêngôkre-Kayapó, os Mekarõ opodjwyj buscam um caminho profissionalizante. Na área política, atuam para gerar a possibilidade de jovens lideranças participarem de mobilizações políticas e ainda nas trocas de conhecimento com outros povos.

O audiovisual se transformou em um instrumento potente dos Mẽbêngôkre-Kayapó para o fortalecimento cultural dos próprios registros sobre a vida, atividades cerimoniais e cotidianas.

A produção do Beture é de cerca de 30 filmes por ano, que costumam tratar do metoro, que são as festas de nominação, os eventos políticos e alguns filmes de ficção representando as narrativas da origem da mitologia Mẽbêngôkre-Kayapó, principalmente transmitida pelos mais velhos.

Os filmes são exibidos nas comunidades e são muito bem recebidos nas aldeias Mẽbêngôkre-Kayapó, mas junto a outros públicos em níveis regional, nacional e internacional também têm acesso.

Netanyahu fala em guerra longa e diz que ação por terra é segunda fase


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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou neste sábado (28) em entrevista coletiva à imprensa que a operação terrestre em curso em Gaza é a “segunda fase da guerra” com o Hamas.

Esta segunda fase da guerra tem “objetivos muito claros”: “destruir a capacidade militar e governamental do Hamas e trazer os reféns para casa”, disse Netanyahu.

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“Queremos destruir os assassinos”, disse Netanyahu, acrescentando que os soldados israelenses “estão empenhados em eliminar este mal do mundo, em prol de toda a humanidade”.

“Israel está a combater uma guerra da humanidade”, disse o primeiro-ministro israelense, afirmando que “se Israel não triunfar, assistiremos a uma disseminação do mal”.

Netanyahu antecipa que a batalha no interior de Gaza “vai ser difícil e longa”, descrevendo o atual conflito com o Hamas como “a segunda guerra pela independência de Israel” e uma batalha “entre o bem e o mal”.

O premiê reiterou que o país está empenhado em resgatar os reféns feitos pelo Hamas e pediu a todos os cidadãos de Gaza para se deslocarem do norte para o sul da região.

Esta foi a primeira conferência de imprensa de Benjamin Netanyahu desde o ataque de 7 de outubro do Hamas, que deixou 1,4 mil mortos em Israel. Desde então, os ataques à Gaza já causaram mais de 7,6 mil mortes de civis palestinos.

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Evangélicos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias


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Duzentos metros separam uma igreja evangélica (Assembleia de Deus) e um espaço que se tornou também referência na comunidade do Córrego do Sargento, na zona norte no Recife. São evangélicos os criadores e a maioria dos participantes do Coletivo Sargento Perifa, entidade que trabalha a comunicação contra a desinformação no lugar, com site de notícias, redes sociais e outras ações concretas. Sensibilizados pelas vulnerabilidades, como falta de escola ou posto de saúde, e também pelas mentiras que subiam o morro, os integrantes do coletivo descobriram que era necessária união da comunidade, que tem cerca de 250 famílias.

Um dos criadores do coletivo, o jovem jornalista Gilberto da Silva, de 24 anos de idade, nasceu e foi criado na comunidade. Cresceu também frequentando a igreja junto com a família, tanto que colaborava na comunicação dos religiosos. Foi fazer jornalismo para contar a história do lugar simples “que ama”.

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Durante a faculdade, ficava incomodado com o teor de programas sensacionalistas que divulgavam o Córrego do Sargento apenas como um lugar de violência ou crimes. “Há sim problemas sociais, mas também tem outras histórias diferentes na comunidade”.

O coletivo conta atualmente com 70 integrantes. Já foram mais de 50 matérias, além das mais de 1.000 postagens em redes sociais.

27/10/2023, Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias. Sargento Perifa. Foto: Coletivo Sargento Perifa

Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias – Foto: Coletivo Sargento Perifa

Ele classifica como desinformação o processo de criminalização da periferia. Havia, pois, muito a comunicar. O auge desse incômodo foi durante a pandemia da covid-19, quando mensagens negacionistas rodavam a comunidade, como ataques à vacinação.

“Quando chegávamos em nossa comunidade, todo mundo estava sem máscara como se não tivesse pandemia. A comunicação foi e tem sido uma articuladora para que outros projetos de comunidade possam surgir”, disse. Como é o caso do trabalho em saúde.

De casa em casa

27/10/2023, Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias. Sargento Perifa. Foto: Coletivo Sargento Perifa

Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias – Foto: Coletivo Sargento Perifa

Uma das moradoras voluntárias do coletivo é a enfermeira Joselma Carvalho, de 52 anos de idade. Ela presta atendimento dentro da comunidade e auxilia os moradores para tirar dúvidas. “Desde que era técnica de enfermagem, procuro passar informações corretas e orientar os moradores para atendimento”, disse a profissional de saúde.

Gilberto Silva lembra que a desinformação, que estava “correndo solta” durante a pandemia, foi a motivação para criar um conselho de comunicação comunitária para se defenderem. “Os próprios moradores se chamam de sargentinos, tal é a identificação que a comunidade tem com o lugar em que moram”, disse. Para o coletivo organizar as ações, realiza, independentemente do IBGE, um censo para buscar informações sobre a comunidade.

Também é criadora do coletivo a jornalista Marthiene Oliveira, de 33 anos de idade, que nasceu no bairro da Linha do Tiro, onde está a comunidade do Córrego do Sargento. Ela acrescenta que o levantamento busca ouvir os moradores sobre as principais dúvidas do dia a dia, incluindo as vulnerabilidades. Ela avalia que a igreja também tem um papel muito importante para a comunidade. “A igreja é um ponto de encontro, de fé e de reunião da nossa comunidade”.

Pelo coletivo e na igreja, conversam sobre os principais desafios da comunidade, como infraestrutura urbana e educação. “Como a gente está falando de favela, a gente precisa de letramento racial. Havia pessoas que não se enxergavam como pretas, vendo como se fosse algo negativo. A comunidade é preta, 90% pelo menos”. A jornalista comunitária entende que a desinformação é um desafio permanente que precisa ser enfrentado.

27/10/2023, Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias. Sargento Perifa. Foto: Coletivo Sargento Perifa

Pelo coletivo e igreja comunidade conversa sobre os principais desafios da comunidade, como infraestrutura urbana Foto: Coletivo Sargento Perifa

Vítimas

Outro enfrentamento à desinformação é realizado pelo Coletivo Bereia, no Rio de Janeiro. O projeto nasceu das pesquisas realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir de 2016, quando se observava a circulação de desinformação em ambientes religiosos, especificamente cristãos e evangélicos, na área da saúde. O coletivo conta com 17 voluntários e produz cerca de 12 reportagens por mês.

“Com a pesquisa, nós ficamos muito surpreendidos com os resultados com um alto número de circulação de conteúdo falso, enganoso, em grupos religiosos. E ficamos alarmados”, disse a editora geral Magali Cunha. Ela é doutora em Ciências da Comunicação e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser).

A partir disso, pesquisadores em jornalismo resolveram criar o projeto, que inspirado em agências de checagem no Brasil, buscaram se dedicar especificamente à circulação em grupos de igrejas. O Bereia foi criado em 2019 com trabalho voluntário.

“O trabalho é feito com um respeito muito grande, justamente identificando que os grupos religiosos são os maiores alvos da desinformação que circula com mais intensidade. Buscamos fazer prestação de serviço a esses grupos, para que eles possam perceber como se tornam alvos da indústria da desinformação”, explica a editora e pesquisadora.

Templo sem desinformação

De outra forma, a pesquisadora em teologia e pastora Wall Moraes, de 65 anos de idade, de Brasília, tem atuado também para reduzir os processos de desinformação. Ela fez parte da criação do programa Superando a História Única que tem por objetivo dar visibilidade social a pastoras e pastores com olhar afirmativo e inclusivo. “Esse programa foi fundamental porque nós recebemos vários retornos de protestantes progressistas que estavam em regiões onde estavam sendo atacados por suas visões”.

27/10/2023, Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias. Sargento Perifa. Foto: Coletivo Sargento Perifa

Religiosos e pesquisadores buscam reduzir desinformação em periferias- Foto: Coletivo Sargento Perifa

Para ela, o principal desafio pós-pandemia é orientar para o fato que os púlpitos de organizações religiosas não sejam utilizados com viés político-partidário e também que espalhem desinformações, levando em conta que pesquisas mostram que pessoas pretas de periferia são mais afetados e por isso precisam não serem vítimas de mentiras que circulam.

A pesquisadora adianta que um grupo inter-religioso, do qual ela faz parte, está elaborando uma cartilha de orientação a membros de qualquer igreja. Esse material abordará temas como a tolerância religiosa e a conduta para buscar informações de qualidade. A previsão é que o lançamento seja no dia 30 de novembro.

Guterres lamenta escalada sem precedentes de bombardeios na Palestina


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O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse neste sábado que ficou surpreso com a escalada de bombardeios de Israel em Gaza e repetiu o pedido por um cessar-fogo imediato para a entrega de ajuda humanitária.

“Fui encorajado nos últimos dias pelo que parecia ser um consenso crescente na comunidade internacional… sobre a necessidade de pelo menos uma pausa humanitária nos combates”, disse Guterres em um comunicado.

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“Lamentavelmente, em vez da pausa, fui surpreendido por uma escalada sem precedentes de bombardeios e dos seus impactos devastadores, minando os referidos objetivos humanitários”, disse.

Os comentários de Guterres ocorrem após a escalada de Israel na represália de semanas pelo ataque de 7 de outubro do grupo militante palestino Hamas, que matou 1.400 israelenses.

As agências humanitárias afirmam que uma catástrofe humanitária está prevista para os 2,3 milhões de habitantes de Gaza que estão sob um bloqueio israelense. As autoridades de saúde do enclave controlado pelo Hamas disseram que 7.650 palestinos, também a maioria civis, foram mortos desde o início do bombardeio de Israel.

Gaza está sob um bloqueio quase total de comunicações desde a noite de sexta-feira, culpa que o Crescente Vermelho Palestino atribuiu a Israel.

“Dada a falha nas comunicações, também estou extremamente preocupado com o pessoal da ONU que está em Gaza para prestar assistência humanitária”, disse Guterres neste sábado. “Esta situação precisa ser revertida.”

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o apagão estaria bloqueando ambulâncias e a retirada de pacientes, além de impedir abrigo seguro às pessoas.

Ele e outras agências humanitárias disseram que não conseguiram contatar seu pessoal, mas um representante dos Comitês Internacionais da Cruz Vermelha (CICV) e do Crescente Vermelho em Gaza teria enviado uma mensagem de áudio.

Os apelos por um cessar-fogo têm aumentado em todo o mundo. 

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Pesquisadores encontram carcaças de 23 botos em Coari, no Amazonas


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Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) encontraram 23 carcaças de botos-vermelhos e tucuxis em lagos de Coari, no Amazonas. O município é vizinho a Tefé, onde mais de 150 animais morreram, desde setembro. A maioria das carcaças se encontrava em estado avançado de decomposição, indicando que os animais haviam morrido já há alguns dias.

Boletim divulgado na sexta-feira (27) pelos institutos de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) informa que a maioria das carcaças é de botos-vermelhos, assim como ocorreu em Tefé, e que amostras dos animais mortos estão sendo coletadas para análise na busca de compreender a causa das mortes. A alta temperatura da água é apontada como a maior hipótese.

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“Além disso, estão sendo instalados sensores automáticos de temperatura da água para monitoramento deste parâmetro, e amostras de água foram coletadas para análise físico-química em laboratório”, diz o boletim.

Em Tefé, pesquisadores do Instituto Mamirauá seguem realizando o monitoramento contínuo dos botos-vermelhos e tucuxis do Lago Tefé, bem como da qualidade da água do lago. Equipes de voluntários profissionais estão apoiando as atividades de monitoramento e se revezando junto com pesquisadores locais.

“Com o nível do lago ainda muito baixo, persistem as chances da temperatura da água do lago voltar a subir bastante, comprometendo os animais residentes. Nos últimos dias, a temperatura da água no ponto P1 de monitoramento tem se mantido elevada entre 36 e 37,7°C”, diz o boletim.

Um flutuante de reabilitação foi estruturado para receber e tratar animais que apresentem sinais clínicos drásticos.

Desde o dia 23 de setembro, foi identificado um evento incomum de mortalidade de botos e tucuxis na região do Lago Tefé, no Médio Solimões, no interior do Amazonas. Um total de 155 animais veio a óbito, sendo 131 botos-vermelhos e 24 tucuxis.

Desse total, 123 animais passaram por exames de necrópsia, com amostras de tecidos e órgãos dos animais enviados para diversos laboratórios especializados distribuídos pelo Brasil.

A seca e a temperatura da água chegou a 39,1°C às 16h no dia 28 de setembro, quando 70 botos morreram. Uma operação, com participação de diversos órgãos, foi montada para socorrer os animais ainda vivos.

Para evitar mais mortes de botos em trechos de águas mais quentes do Lago Tefé, os pesquisadores montaram uma espécie de cordão para isolar esses trechos e conduzir os botos para áreas mais profundas do lago, onde a temperatura é mais baixa.

Apesar de a alta temperatura seguir como causa mais provável, os pesquisadores não descartam outras possibilidades como alguma contaminação da água ou doenças nos animais. Além das altas temperaturas medidas no lago durante o período da tarde, há também uma grande variação da temperatura da água durante o dia, chegando a variar entre 28°C e 38°C diariamente.

“Tivemos 17 indivíduos já avaliados com análises histológicas e até o momento não há indício de um agente infeccioso relacionado como causa primária da mortalidade. O diagnóstico molecular (PCR) de 18 indivíduos também deu resultado negativo para os agentes infecciosos Morbillivirus, Toxoplasma, Clostridium, Mycobacterium e Pan-fúngico, associados a mortes em massa”, informa o boletim.