Surfe: Toledo, Ítalo, Chianca e Dora avançam às oitavas em Saquarema


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Quatro dos oito surfistas brasileiros inscritos na etapa de Saquarema (RJ) do circuito mundial de surfe (World Surfe League-WSL) avançaram às oitavas de final nesta sexta-feira (23), primeiro dia do Rio Pro. Atual campeão mundial, Filipe Toledo, João “Chumbinho” Chianca, Yago Dora e o campeão olímpico ítalo Ferreira foram os melhores em suas baterias e se classificaram direto. Nascido em Saquarema, Filipinho, vice-líder do ranking mundial, busca o tetracampeonato surfando em casa: levantou o troféu em 2018, 2019 e 2022. 

Outro quatros brasileiros têm chance de classificação na repescagem, a partir das 7h15 (horário de Brasília) deste sábado (24), com transmissão ao vivo no site da WSL. São eles: Caio Ibelli, Samuel Pupo, Jadson  André e o tricampeão mundial Gabriel Medina. 

A competição começou com a disputa feminina. A cearense Silvana Lima foi eliminada na repescagem, com somatório de 5,17, contra 7,83 da havaiana Carissa Moore (7,83 ). Devido às condições do mar, duas outras baterias ocorrerão na manhã deste sábado (24). Entre elas está a da gaúcha Tatiana Weston-Webb contra a norte-americana Caitlin Simmers.

A etapa de Saquarema é a antepenúltima do circuito mundial, antes da  WSL Finals: apenas os cinco melhores atletas no masculino e no feminino disputarão o título de 2023. Além do título, a classificação no circuito pode significar a conquista da vaga olímpica nos Jogos de Paris no ano que vem.

O Brasil já conta com a presença de Tati Weston-Webb em Paris: ela garantiu a vaga em abril, ao concluir a quarta etapa do circuito mundial na quinta posição. Entre os homens, há dez vagas olímpicas para os primeiros colocados este ano na WSL, sendo que cada país pode credenciar no máximo até dois atletas.  Atualmente, três brasileiros ocupam o top 5 do ranking e estão mais perto da vaga olímpiica: Filipinho (vice-líder), Chumbinho (3º) e Medina (5º).

Repescagem – sábado (24)

Masculina

Bateria 1: Griffin Colapinto (EUA) x Jadson André (BRA)

Bateria 2: Connor O’Leary (AUS) x Ian Gentil (Havaí)

Bateria 3: Gabriel Medina (BRA) x Samuel Pupo (BRA)

Bateria 4: Caio Ibelli (BRA) x Barron Mamiya (Havaí)

Bateria 5: Jack Robinson (AUS) x Seth Moniz (Havaí)

Bateria 6: Matthew McGillivray (RSA) x Jordy Smith (RSA)

Bateria 7: Leonardo Fioravanti (ITA) x Rio Waida (IND)

Bateria 8: Callum Robson (AUS) x Kanoa Igarashi (JAP)

Feminina

Bateria 3: Molly Picklum (HAV) x Johanne Defay (FRA)

Bateria 4: Tatiana Weston-Webb (BRA) x Caitlin Simmers (EUA)

Resultados 1º dia do WSL Saquarema

Masculino

Bateria 1 – Ethan Ewing (AUS) 14,20 x Rio Waida (IND) 14,13 x Caio Ibelli (BRA) 12,47

Bateria 2 – João Chianca (BRA) 14,83 x Matthew McGillivray (AFS) 8,96 x Seth Moniz (HAV) 10,20

Bateria 3 –Filipe Toledo (BRA) 14,53 x Callum Robson (AUS) 13,83 x Samuel Pupo (BRA) 14,50

Bateria 4 – Liam O’Brien (AUS) 10,33 x Jadson André (BRA) 8,24 x Griffin Colapinto (EUA) 6,73

Bateria 5 – Yago Dora (BRA) 15,53 x Gabriel Medina (BRA) 15,17 x Ian Gentil (HAV) 8,40

Bateria  6 – Ryan Callinan (AUS) 13,44 x Jack Robinson (AUS) 10,20 x Barron Mammiya (HAV) 6,26

Bateria 7 – John John Florence (HAV) 15,67 x Connor O’Leary (AUS) 10,83 x Jordy Smith (AFS) 9,63

Bateria 8 – Italo Ferreira (BRA) 15,00 x Leonardo Fioravanti (ITA) 11,40 x Kanoa Igarashi (JAP) 9,13

Feminino

Bateria 1: Gabriela Bryan (EUA/Havaí) 12,13 x Molly Picklum (Austrália) 11,94 x Stephanie Gilmore (Austrália) 11,06

Bateria 2: Lakey Peterson (EUA) 9,00 x Carissa Moore (EUA/Havaí) 8,14 x Silvana Lima (Brasil) 7,43

Bateria 3: Tyler Wright (Austrália) 11,17 x Johanne Defay (França) 10,26 x Caitlin Summers (EUA) 10,07

Bateria 4: Caroline Marks (EUA) 12,50 x Tatiana Weston-Webb (Brasil) 10,90 x Bettylou Sakura Johnson (EUA/Havaí) 10,27

Formação de professores será prioridade no grupo de educação no G20


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A formação dos professores e a valorização docente serão os temas prioritários na educação no âmbito do G20, de acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana. O ministro está na Índia, onde participou da Reunião de Ministros da Educação do G20, em Pune. A partir do ano que vem, o Brasil assume a presidência do G20 –  grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo e a União Europeia -, e o Ministério da Educação (MEC) estará à frente do Grupo de Trabalho (GT) em Educação.  

Na reunião de ministros, Santana apresentou as propostas iniciais para o debate educacional do próximo ano. “Em educação, estabelecemos a formação dos professores e a valorização docente como temas prioritários para o próximo ano, reconhecendo a importância do professor na trajetória dos estudantes e, por consequência, na qualidade da educação”, disse Santana à Agência Brasil

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Além da formação de professores, outros temas prioritários da gestão brasileira serão o engajamento comunitário das escolas, com o respeito às diferenças e o fomento à interação entre o ambiente de ensino-aprendizagem e a sociedade e o compartilhamento de conteúdos educativos entre plataformas de ensino, com ênfase na educação para o desenvolvimento sustentável, no contexto de agenda ambiental. “A ideia é capacitar nossos jovens para formas de desenvolvimento que sejam não predatórias, não poluentes”, disse. 

A reunião de ministros, que terminou ontem (22), contou com a presença de mais de 150 delegados, incluindo 14 ministros dos países membros do G20 e convidados. 

Santana também propôs ao grupo a criação do Prêmio G20 Educacional. “Também levei, como sugestão, dado o prestígio e a capilaridade do G20, um prêmio do G20 Educacional que reconheça experiências locais exitosas e nos permita, por meio delas, aprofundar o debate sobre a implementação de medidas de engajamento comunitário”, explicou.

Brasil na presidência do G20

O Grupo dos 20 (G20) é composto por 19 países: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, República da Coreia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Türkiye, Reino Unido e Estados Unidos, além da União Europeia. Os membros do G20 representam cerca de 85% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos por um país) global, mais de 75% do comércio global e cerca de dois terços da população mundial.

Desde 2008, os países revezam-se na presidência. Esta será a primeira vez que o Brasil presidirá o G20 no atual formato. A programação da presidência do G20 compreenderá mais de uma centena de reuniões oficiais em todo o território nacional, entre as quais a Cúpula de Líderes, cerca de 20 reuniões ministeriais, mais de 50 reuniões de altos funcionários, além de dezenas de eventos paralelos.  

A Cúpula de Líderes do G20, durante a presidência de turno brasileira, está prevista para 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro. A Presidência da República do Brasil indicou três desafios orientadores gerais para todos os grupos de trabalho do G20, em 2024: desenvolvimento sustentável, reforma das estruturas de governança global e combate às desigualdades.

Agenda da Educação

Na educação, a próxima reunião ministerial do G20 está prevista para setembro deste ano, em Fortaleza. No dia 1º de dezembro, o MEC deverá publicar a nota técnica que vai detalhar as prioridades e os objetivos esperados do GT. Em seguida, a pasta propõe uma videoconferência, a ser realizada de 5 a 6 de fevereiro de 2024, para escutar e receber contribuições de países.  

A primeira reunião presencial deverá ocorrer de 25 a 27 de março de 2024, no Rio de Janeiro. Ao final do mês de abril, o MEC pretende compartilhar a primeira versão da declaração ministerial. A segunda reunião presencial será realizada de 20 a 22 de maio, em Brasília. Na sequência, a intenção é preparar a revisão da declaração por meio das conferências virtuais com cada país.

Rio e Penedo-AL são candidatas à Rede de Cidades Criativas da Unesco


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Comitê composto pelos ministérios do Turismo, Cultura e pela Comissão Nacional para a Unesco no Brasil selecionou na quinta-feira (22) as cidades do Rio de Janeiro e Penedo, em Alagoas, como candidatas a integrar a Rede de Cidades Criativas da Unesco. A capital fluminense foi indicada por sua vocação na área da literatura, e o município alagoano, como cidade criativa do cinema. 

As duas cidades serão avaliadas pela Unesco, que é o órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. O objetivo é favorecer a cooperação entre cidades que consideram a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento sustentável, em seus aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Ao aderir, as cidades se comprometem a compartilhar boas práticas e a desenvolver parcerias para promover as indústrias da cultura e da criatividade no âmbito de seus planos de desenvolvimento urbano.

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O comitê que selecionou as candidatas buscava indicar duas cidades brasileiras em duas categorias diferentes entre as sete que são contempladas na rede: Artesanato e Artes Populares; Cinema; Design; Gastronomia; Literatura; Artes Midiáticas – Comunicação e Mídia; e Música. 

Foram considerados critérios como alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU; história e o patrimônio da cidade; integração com outras áreas criativas; viabilidade financeira; capacidade do município em contribuir com a Rede; e engajamento de autoridades municipais na candidatura. 

A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, destacou a relevância do Brasil para o projeto como um dos países mais presentes na rede colaborativa. “O Brasil é o terceiro país com mais cidades criativas na Rede, tendo 12 municípios já agraciados com o título e ficando atrás apenas da China e da Itália. Estamos orgulhosos de tantas candidaturas que chegaram aos nossos técnicos e parabenizamos a todos, em especial às duas cidades selecionadas, pelo empenho em mostrar o potencial criativo do nosso país”, disse, segundo sua assessoria de imprensa. 

A última vez que o Brasil apresentou candidaturas à Rede foi em 2021, quando foram indicadas as cidades de Campina Grande (PB) e Recife (PE), e ambas foram reconhecidas como Cidades Criativas de Artes Midiáticas e da Música, respectivamente.

Além delas, as outras dez que representam o Brasil na Rede são: Belém (PA), Florianópolis (SC), Paraty (RJ) e Belo Horizonte (MG), na categoria de Gastronomia; Brasília (DF), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), na categoria de Design; Salvador (BA), em Música; Santos (SP), no Cinema; e João Pessoa (PB), como Cidade Criativa do Artesanato e Artes Populares.

 

Alckmin: impacto fiscal da taxa de juros é de R$ 190 bilhões


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O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, criticou, nesta quinta-feira (22), a decisão do Banco Central de manter os juros básicos da economia (taxa Selic) em 13,75% ao ano, mesmo com inflação em queda.

Segundo Alckmin, além de causar danos à atividade econômica, inibindo investimentos e prejudicando o comércio e a indústria, esse patamar de juros tem impacto forte na situação fiscal do país, já que grande parte da dívida está indexada à taxa Selic.

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“Quase metade da dívida pública brasileira é selicada [indexada à Selic]. Então, cada 1% da taxa Selic custa R$ 38 bilhões [de pagamento do serviço da dívida pública]. Não há nada pior para a questão fiscal do que uma Selic desnecessariamente elevada. Então, R$ 38 bilhões a cada 1%, se você tem uma taxa 5% acima do que deveria estar, isso custa praticamente 190 bilhões”, criticou.

“Você fica fazendo economia de um bilhão, meio bilhão, e acaba gastando aí quase R$ 200 bilhões em razão de ter uma taxa Selic nessa altura”, acrescentou. Alckmin está no exercício da Presidência da República esta semana, durante viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Europa.

Alckmin avaliou ser “difícil entender” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central diante do cenário de inflação em queda e juros internacionais negativos.

“O mundo hoje tem juros negativos, a inflação está em queda, há uma deflação no IGP [Índice Geral de Preços], em 12 meses, de mais de 6%. Os juros futuros em queda e essa taxa Selic acaba tendo um impacto fiscal. Se a preocupação é dívida, não há nada pior do que isso”, acrescentou.

Depois de subir no início do ano, as expectativas de inflação têm caído. Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2023 passou de 5,42% para 5,12%.

Em maio, puxado pela queda nos preços dos combustíveis e de artigos de residência, o IPCA caiu para 0,23%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumulou alta de 2,95% no ano e de 3,94% nos últimos 12 meses, percentual mais baixo do que os 4,18% acumulados até o mês anterior.

Alckmin também observou que, mesmo sob a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, a taxa Selic chegou a ser reduzida para 2% ao ano, nível mais baixo da série histórica, e com uma inflação maior do que a atual. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Pleno do STJD confirma banimento de jogador envolvido em manipulação


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O pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) confirmou nesta quinta-feira (22) o banimento do futebol do meia Marcos Vinicius Alves Barreira, conhecido como Romário, por participar de um esquema de manipulação de resultados de partidas de futebol quando defendia o Vila Nova.

Além disso, os auditores decidiram aumentar a multa imputada ao atleta de R$ 25 mil para R$ 80 mil, além de pedir à Fifa (Federação Internacional de Futebol) que a decisão tenha abrangência internacional. A punição foi baseada no artigo 242 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê condenação a quem der ou prometer vantagem indevida a qualquer atleta para influenciar resultado da partida ou equivalente.

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Outro atleta que teve a punição imposta em primeira instância confirmada pelo pleno nesta quinta foi o volante Gabriel Domingos. Ele permanece suspenso por 720 dias, mas a multa que recebeu também aumentou, de R$ 15 mil para R$ 80 mil. A sua sentença é baseada no artigo 243 do CBJD, que é “atuar, deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende”.

As punições foram motivadas pela participação dos dois em um esquema de manipulação de resultados no jogo entre Vila Nova e Sport pela edição 2022 da Série B do Campeonato Brasileiro, que foi disputado no dia 6 de novembro.

Segundo as denúncias, que são resultado de uma operação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) chamada de Penalidade Máxima, Romário, que à época atuava no Vila Nova, agiu para tentar cooptar atletas para cometerem pênaltis na partida em questão. Já Gabriel, que também defendia a equipe goiana na oportunidade, acabou envolvido no caso por afirmar, em troca de mensagens com apostadores, que toparia a proposta, o que não se concretizou no final.

A investigação do MP-GO surgiu em fevereiro, a partir de uma denúncia feita pelo presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo. Naquela oportunidade, o dirigente revelou que Romário aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti na primeira etapa do jogo contra o Sport. Posteriormente, em abril, o MP-GO ampliou o escopo das investigações, passando a apurar possíveis eventos irregulares em partidas da Série A e de campeonatos estaduais.

Cotas na UnB completam 20 anos com ingresso de mais de 38 mil alunos


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A Universidade de Brasília (Unb) realizou nesta quinta-feira (22) uma cerimônia para celebrar os 20 anos da implantação da política de cotas raciais na instituição, completados no último dia 6 deste mês. A universidade foi a primeira instituição federal de ensino superior do país a adotar a iniciativa.  

Desde 2004, primeiro ano de implantação da política, 38.042 estudantes entraram na universidade pelo sistema. No início, a política previa que 20% das vagas de graduação seriam destinadas a candidatos negros. Após a Lei de Cotas, de 2012, a instituição destina 50% para estudantes de escolas públicas, com base nos critérios de renda e raça e mantém  5% das vagas exclusivas para negros.

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Na reunião extraordinária do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), órgão que aprovou e estruturou a política na UnB, o pedagogo e representante dos cotistas da universidade, Jonhatan Gonçalves, relatou como a política de cotas lhe permitiu acessar a educação.

“Minha família sequer tinha condições físicas, psíquicas, emocionais e culturais para tamanho apoio, suporte ou investimento à minha educação”.  

Avanços 

O vice-reitor da UnB, Henrique Huelva, destaca que adoção das cotas foi o primeiro passo para saldar uma dívida do país com a população negra, vítima de um processo de escravidão, uma das maiores atrocidades cometidas pela humanidade. Segundo ele, o caminho ainda é longo. 

Conforme pesquisas internas da universidade, quase 12% dos alunos se declaram pretos e 34% pardos. Entre os docentes, o percentual dos que se declaram pretos cai para 4%, e 20% pardos.  

“Isso mostra a necessidade de termos cotas, ações afirmativas em mestrado e doutorado, os dois passos seguintes, para que se permita a entrada de novos docentes e pesquisadores e tenhamos uma aproximação um pouco mais satisfatória entre a composição étnico-racial da sociedade brasileira e composição interna da universidade”  

Em 2020, a universidade estendeu a política de cotas para a pós-graduação, destinando 20% das vagas de cada edital para candidatos negros e ao menos uma vaga adicional em todas as seleções de stricto sensu para indígenas e quilombolas, As regras entraram em vigor no primeiro semestre de 2021. Está em discussão pelo Cepe a reserva de vagas para docentes.  

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, contou as pressões e desafios enfrentados pela UnB, ao ser a pioneira na implantação das cotas raciais para ingresso na graduação. Um dos episódios mais marcantes foi a contestação da iniciativa no Supremo Tribunal Federal (STF).  

Brasília (DF), 22/06/2023 – A Reitora da UNB, Márcia Abrahão, fala a imprensa na  UnB do evento para comemorar os 20 anos do sistema de cotas da instituição.Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

Reitora da UNB, Márcia Abrahão, fala das pressões e desafios enfrentados pela UnB, ao ser a pioneira na implantação das cotas raciais- Valter Campanato/Agência Brasil

Na ocasião, a universidade teve de realizar um estudo sobre o nível de conhecimento dos estudantes cotistas para contestar ação judicial. Em abril de 2012, a Corte Suprema reconheceu que a política era constitucional. No mesmo ano, o governo federal instituiu a Lei de Cotas. 

Em outro momento, a universidade teve de lidar com as inúmeras fraudes decorrentes da autodeclaração dos candidatos.  

“A universidade foi ousada e vai experimentando. Foi um momento em que a universidade confiou que autodeclaração, de acordo com a lei [de Cotas], seria suficiente para que as pessoas entendessem que é uma política específica. Infelizmente, tivemos muitos casos de fraudes, estabelecemos comissões de investigação. Retornamos com as comissões de heteroidentificação”, afirmou. 

A UnB recriou a comissão de heteroidentificação em 2022, quando uma banca avalia a autodeclaração de candidatos negros, indígenas e quilombolas para ingresso nos cursos de graduação. Dois anos antes,  em decisão inédita, a instituição expulsou 15 estudantes após intensa investigação comprovar fraude na autodeclaração. 

Permanência na universidade  

Para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, as cotas precisam ter como suporte políticas de incentivo à permanência dos cotistas na universidade.  

“Quem é estudante sabe o quanto o dinheiro para as refeições, lanches e xerox são fundamentais para a gente se manter e viver estudando, sem precisar abandonar o estudo e correr atrás de outros modos de sobrevivência. É um auxílio fundamental para estudantes quilombolas, indígenas em situação de vulnerabilidade socio-econômica”. 

Brasília (DF), 22/06/2023 – A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, participa na  UnB do evento para comemorar os 20 anos do sistema de cotas da instituição. UNB, Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

Anielle Franco participa de evento para comemorar os 20 anos do sistema de cotas da UNB – Valter Campanato/Agência Brasil

Em fevereiro, o governo federal anunciou reajuste da Bolsa Permanência, com percentuais de 55% a 75%, o que não ocorria desde 2013. Atualmente, os valores vão de R$ 400 a R$ 900.