Copa consolida futebol feminino europeu e protagonismo de finalistas


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A Copa do Mundo finalizada neste domingo (20) mostrou que o futebol feminino tem um novo centro. Os Estados Unidos, tetracampeões mundiais, seguem como polo atrativo, mas o protagonismo rumou, de vez, para a Europa. A decisão entre dois países do Velho Continente – o que havia acontecido somente duas vezes nas oito edições anteriores – consolida um movimento que era possível observar antes mesmo de a bola rolar na Austrália e na Nova Zelândia.

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É verdade que países europeus como Alemanha (bicampeã do mundo), Noruega (campeã) ou Suécia sempre estiveram entre as forças da modalidade. Desde 2007, porém, a taça da Copa não ia para o continente. Os três títulos seguintes foram para EUA (duas vezes) e Japão. Nestas finais, apenas a última, em 2019, teve uma seleção da Europa na final (Holanda, superada pelas norte-americanas).

Naquela Copa, realizada na França, a presença de três nações europeias entre as semifinalistas (Holanda, Inglaterra e Suécia, sendo que as duas primeiras atingiram as respectivas melhores campanhas à ocasião) indicou que algo estava acontecendo. O fortalecimento dos torneios, especialmente da Liga dos Campeões, o aumento de investimento e a profissionalização trouxeram retorno e mais visibilidade.

No Mundial de 2019, a liga de futebol feminino dos EUA foi a que teve mais jogadoras convocadas: 73, o equivalente a 13,2% do total. Ela foi seguida pelos campeonatos de Espanha (52), França (50) e Inglaterra (49). No torneio deste ano foram 88 atletas vinculadas a equipes norte-americanas. Considerando que a Copa de 2023 reuniu 32 seleções, contra 24 de quatro anos atrás, houve uma queda na representatividade estadunidense para 11,9%.

Em contrapartida, as ligas das duas nações finalistas deste ano cresceram em relevância. A Inglesa teve 106 futebolistas presentes nesta Copa, mais que o dobro da edição passada, assumindo o posto de competição com mais atletas no Mundial. A representatividade disparou de 8,9% para 14,4%. Já a Espanhola contou com 70 jogadoras nesta edição, aumento de 9,4% para 9.9% na comparação com 2019.

Ligas fortes

Em 2019, o banco Barclay’s anunciou um patrocínio de mais de 10 milhões de libras esterlinas (R$ 63,5 milhões na cotação atual) para o Campeonato Inglês, contemplando também apoio a centenas de escolas de futebol feminino no país. O acordo foi renovado dois anos depois, chegando a 30 milhões de libras (R$ 190,5 milhões). Também em 2021, BBC (TV aberta) e Sky Sports (fechada) adquiriram os direitos de transmissão do torneio.

A liga inglesa atraiu estrelas do futebol feminino mundial. A australiana Sam Kerr, maior artilheira da história do campeonato dos EUA, trocou o Chicago Red Stars pelo Chelsea em 2020. No mesmo ano, o time londrino acertou com a dinamarquesa Pernille Harder, que estava no alemão Wolfsburg, na contratação mais cara da modalidade à época: cerca de 337 mil euros (R$ 1,8 milhão). Ainda em 2020, Lucy Bronze foi repatriada pelo Manchester City, após três temporadas no Lyon, da França, então maior força do continente.

Na Espanha o investimento foi mais tardio. A profissionalização da competição local se deu somente na edição passada (2022/2023), mas as perspectivas são positivas. Por meio de um acordo com La Liga (entidade responsável pelo futebol masculino), 42 milhões de euros (R$ 227,4 milhões) estão já garantidos à liga feminina até 2027. Mais 36 milhões de euros (R$ 194,9 milhões) serão revertidos, também pelos próximos cinco anos, com a venda de direitos de transmissão.

O trabalho de base, portanto, foi determinante para formar talentos e fortalecer não apenas a seleção ibérica, mas, naturalmente, os clubes. Em 2018 a Espanha foi campeã mundial sub-17 e vice no sub-20. No ano passado garantiu o primeiro lugar nos dois torneios. Não à toa apenas quatro das 23 espanholas convocadas à Copa de 2023 têm idade acima dos 30 anos. O Barcelona, de Aitana Bonmatí e Alexia Putellas, tornou-se o principal time da atualidade, finalista das últimas três Ligas dos Campeões, com duas conquistas, inclusive a da temporada 2022/2023.

Não à toa, os quatro clubes com mais jogadoras na Copa de 2023 pertencem às ligas inglesa e espanhola. O Barcelona lidera a estatística, com 18 atletas, sendo que nove defenderam a Espanha em solo australiano e neozelandês. Na sequência, com 16, estão Chelsea e Arsenal. Destaque ao último, com representantes em dez seleções. O Real Madrid, com 15 convocadas, completa o “G4”.

Bom produto

O investimento tornou o produto futebol feminino atrativo como nunca antes. A Eurocopa do ano passado, disputada na Inglaterra e vencida pelas anfitriãs, levou mais de 500 mil pessoas aos estádios (mais que o dobro de 2017, na Holanda). A decisão entre inglesas e alemãs teve 87.192 torcedores nas arquibancadas de Wembley, em Londres, o maior público da história do torneio, masculino ou feminino. A audiência global da Euro chegou a 365 milhões de espectadores.

Ainda em 2022, o duelo entre Barcelona e Wolfsburg, pelas semifinais da Liga dos Campeões, no Camp Nou, casa do time espanhol, foi acompanhado por 91.648 pessoas, recorde em uma partida de futebol feminino. O clube catalão, aliás, detém três dos quatro maiores públicos da modalidade entre clubes. Não à toa lidera um estudo da consultoria Deloitte como a equipe de mulheres que mais gerou renda na última temporada: 7,7 milhões de euros (R$ 41,7 milhões).

O futuro é promissor. A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa, sigla em inglês) divulgou um relatório, há um ano, projetando que o retorno comercial do futebol feminino no continente atinja, até 2033, 686 milhões de euros (R$ 3,7 bilhões) anuais. É o equivalente a seis vezes o que movimenta atualmente. A perspectiva é que a base de fãs mais que dobre nesse período.

E no Brasil?

Assim como a liga inglesa, a brasileira teve 2019 como ano de transformações importantes. Quarenta anos após cair a proibição à prática do futebol por mulheres no país, entrou em vigência a obrigatoriedade para que os clubes da Série A do Brasileirão masculino mantivessem equipes femininas profissionais e de base. Na época, somente sete dos 20 participantes da elite contavam com projetos estruturados na modalidade.

A chegada de clubes tradicionais do futebol masculino trouxe visibilidade e investimento. Em 2021, a Neoenergia, empresa do grupo espanhol Iberdrola, anunciou patrocínio às competições femininas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A premiação aos finalistas da Série A1 (primeira divisão) evoluiu desde então. No ano passado, o Corinthians embolsou R$ 1 milhão pelo título, cinco vezes mais que na edição anterior, em que também foi campeão. O vice, Internacional, recebeu R$ 500 mil. O de 2021, Palmeiras, levou R$ 100 mil.

Se passa longe de ser um polo global no futebol feminino, o Brasil tem se consolidado como referência sul-americana. Prova é que o Brasileirão deste ano, o 11º organizado pela CBF, tem um recorde de jogadoras estrangeiras: 40, a maioria delas do próprio continente. Onze, inclusive, estiveram na Copa em solo australiano e neozelandês. Quatro anos atrás, na França, apenas duas gringas que atuavam por aqui foram convocadas: Claudia Soto (Santos) e María Urrutia (3B da Amazônia).

Sensação do Mundial de 2023 ao chegar às quartas de final de maneira inédita, a Colômbia teve cinco atletas da liga brasileira em seu elenco: Catalina Pérez (Avaí Kindermann), Lorena Bedoya, Lady Andrade (ambas Real Brasília), Jorelyn Carabali (Atlético-MG) e Mónica Ramos (Grêmio). Na Argentina, foram também cinco jogadoras: Eliana Stábile, Adriana Sachs (ambas Santos), Lorena Benítez, Yamila Rodríguez (ambas Palmeiras) e Paulina Gramaglia (Red Bull Bragantino). A equipe de Filipinas contou com a santista Reina Bonta.

No contexto global, porém, a América do Sul caminha a passos lentos. Na própria Colômbia, a liga dura somente quatro meses. A edição de 2023, por exemplo, terminou em junho, pouco antes da Copa. A promessa de um segundo campeonato nacional no ano – como já acontece no masculino – não foi cumprida. Na Argentina, a modalidade está profissionalizada desde 2019, mas viver do futebol ainda não é uma realidade para a maioria das jogadoras.

O Brasil é um dos candidatos a receber a próxima Copa do Mundo, em 2027. Entre os concorrentes está, justamente, uma parceria europeia (Alemanha, Holanda e Bélgica). A Federação Internacional de Futebol (Fifa) decidirá a sede da competição em maio do ano que vem. Em caso de escolha brasileira, seria a primeira vez do Mundial Feminino na América do Sul, com expectativa de aumentar o fomento à modalidade não somente por aqui, mas no restante do continente.

Por falta de professores, curso da USP terá 11 disciplinas a menos


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Onze disciplinas do curso de artes visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP) deixarão de ser oferecidas neste semestre por falta de professores. Já havia previsão de que cinco seriam canceladas, porém, a uma semana do início das aulas do semestre, chegou o aviso de outras seis. Segundo a Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), o motivo do cancelamento é a não renovação do contrato de três professores temporários e a falta de docentes disponíveis para assumir as vagas.

Por conta dessa situação, os alunos de artes visuais, de outros cursos da ECA e de outras unidades da USP realizaram uma manifestação no dia 9 de agosto para denunciar a situação e exigir providências da direção da unidade e da reitoria. Na ocasião, os estudantes divulgaram uma carta aberta ressaltando a importância do curso, que foi o 12º mais procurado no último vestibular da USP, com quase 31 candidatos por vaga, e seu papel histórico para as artes brasileiras.

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“A falta de contratação de professores num curso como o de Artes Visuais da USP limita as oportunidades de desenvolvimento de novos talentos, como ainda compromete o prestígio da instituição e sua capacidade de atrair estudantes, parcerias e projetos relevantes, comprometendo a manutenção de um corpo docente qualificado e estável, vital para a qualidade do ensino na Universidade e desde seu início conectado à comunidade cultural e artística, desempenhando papel fundamental na formação de profissionais ligados à área”, diz a carta.

O coordenador do curso, João Musa, confirmou a dificuldade enfrentada, já que há alguns critérios definidos para a indicação de professores que refletem diretamente na queda do quadro. No caso dos provisórios, que são contratados para substituir os definitivos que estejam ausentes por algum motivo, o contrato vale por até dois anos. Após esse período, novo concurso deve ser realizado para contratar outros substitutos.

Já para os definitivos, que trabalham em período integral, Musa ressaltou que a reposição foi caindo ao longo dos anos, “A USP prometeu que ia repor 80% dos professores perdidos nos últimos quatro anos. Ora, para quem já estava com professor a menos, repor só 80% também gera outro buraco. Ela atrasou a entrega desses professores, que deveriam ter vindo ano passado, este ano.”

Segundo a Adusp, atualmente, o curso conta com 15 docentes, sendo que três estão em situação de modalidade especial, como licença médica. Assim, são 12 professores integralmente dedicados ao departamento. Entre 2014 e 2022, sete docentes saíram e foram contratados dois.

A Adusp ressaltou que a situação se repete em outras unidades e é atribuída ao reflexo da precarização do trabalho docente e de uma política deliberada de redução de contratações que, desde 2014, produziu um déficit de mil docentes na USP. “As 876 contratações que a atual Reitoria anunciou que pretende fazer até o final de sua gestão, em 2025, são insuficientes para cobrir esse déficit e ainda repor as saídas programadas por aposentadorias nos próximos anos”, informou.

A presidente da associação dos docentes, Michele Schultz, observou que faltam pelo menos mil professores em todas as unidades da USP. Segundo ela, embora a reitoria tenha anunciado a contratação de 876 docentes, esse número se refere a algo que já estava previsto na gestão anterior e que havia congelado contratações por conta da pandemia.

“Também desconsidera as aposentadorias, exonerações e mortes que acontecerão durante a gestão. Em média entre 180 e 200 docentes se aposentam, exoneram ou morrem por ano. Em quatro anos, isso dá cerca de 800 docentes. Essas vagas anunciadas se referem ao que vai ser perdido durante a gestão. Eles têm falado que vão repor as vagas é durante a gestão, mas nós não temos certeza disso porque não vimos de fato esses docentes”, disse.

De acordo com ela, a situação vem sendo amplamente denunciada e alunos, funcionários e docentes, preocupados com a situação, elaboraram um manifesto, motivado pela necessidade de defesa da universidade pública. “Nós temos visto muitas iniciativas que visam à privatização da universidade já há muitas décadas, mas no último período a coisa se intensificou e nós sentimos que precisávamos defender a concepção de universidade pública”, afirmou.

Por meio de nota, a Reitoria da USP informou que, no início de 2022, concedeu 876 vagas para reposição dos docentes, de acordo com a demanda levantada pelas unidades de Ensino e Pesquisa. “A distribuição das vagas foi feita para todas as Unidades e foi dividida em três fases: 50% na primeira etapa (2022 e 2023) e 25% em cada um dos anos subsequentes (até 2025). Cabe às Unidades a realização dos processos seletivos para a contratação dos professores”, diz a nota.

Copa Feminina: Espanha e Inglaterra duelam por conquista inédita


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A Copa do Mundo em solo australiano e neozelandês premiará, neste domingo (20), um campeão inédito. A partir das 7h (horário de Brasília), Espanha e Inglaterra duelam no Estádio Austrália, em Sidney, valendo uma conquista inédita para ambos os lados.

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As Leoas, como são conhecidas as inglesas, chegaram ao Mundial como favoritas após vencerem, pela primeira vez, a Eurocopa do ano passado, na qual foram as anfitriãs. Na campanha tiveram pela frente justamente as espanholas, nas quartas de final, às quais derrotaram por 2 a 1 na prorrogação.

Se não estava na primeira prateleira de candidatas ao título, a Espanha veio à Copa repleta de expectativa. A equipe tem como base o Barcelona, atual campeão europeu de clubes, com nove das 23 convocadas vinculadas ao time catalão. Além disso, o país tem a geração mais promissora da modalidade, sendo o atual campeão mundial sub-20 e bi no sub-17.

Campeãs europeias

As inglesas estão invictas, com cinco vitórias no tempo normal e uma nos pênaltis (sobre a Nigéria, nas oitavas de final, após empate sem gols com a bola rolando). Na semifinal, as Leoas bateram a anfitriã Austrália por 3 a 1. São 13 gols marcados e somente três sofridos. As atacantes Lauren Hemp e Alessia Russo e a meia Lauren James balançaram as redes três vezes cada e são as artilheiras da equipe.

James, aliás, pode ser a principal novidade na seleção dirigida pela holandesa Sarina Weigman. A jogadora de 21 anos foi expulsa contra a Nigéria após pisar nas costas da zagueira Michelle Alozie e levou dois jogos de suspensão. A camisa 7 vinha sendo o destaque inglês na Copa, com seis participações diretas em gols. Além dos três que marcou, ela distribuiu três assistências.

A presença de James entre as titulares ainda não está confirmada por Weigman, que disputará, neste domingo, a segunda final de Copa da carreira. Em 2019, na França, dois anos após levar a Holanda ao título da Eurocopa, conduziu a seleção de seu país à inédita decisão de um Mundial, ficando com vice. No ano passado, ela foi eleita, pela terceira vez, a melhor técnica do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Melhor ataque da Copa

A Espanha, por sua vez, tem o melhor ataque da Copa, com 17 gols. Assim como a Inglaterra, são três jogadoras encabeçando a artilharia da equipe: as atacantes Jennifer Hermoso e Alba Redondo e a meia Aitana Bonmatí (cada uma com três gols). Esta última chegou à Copa como protagonista da seleção, já que a meia Alexia Putellas, eleita duas vezes a melhor do mundo, veio para o Mundial pouco tempo após se recuperar de uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho.

Bonmatí também faz parte de um grupo de 15 atletas que, em setembro do ano passado, segundo a imprensa espanhola, pressionou a federação pela saída do técnico Jorge Vilda (lesionada à época, Putellas apoiou o movimento). Das divergentes, três mudaram de ideia e voltaram à seleção. Ainda assim, o distanciamento entre treinador e elenco é evidente.

Se Bonmatí e Putellas são as estrelas, Salma Paralluelo (que atua com elas no Barcelona) é a revelação. A atacante de 19 anos foi campeã mundial sub-17 e sub-20 e pode ser a primeira com esses títulos a também ganhar a Copa. Ex-velocista, ela fez gols importantes nas vitórias sobre Holanda (quartas) e Suécia (semifinal), sempre saindo do banco.

A seleção vencedora deste domingo entrará para o seleto grupo de campeãs mundiais no futebol feminino, encabeçado pelos Estados Unidos (quatro títulos) e que ainda tem Alemanha (dois), Japão e Noruega (um cada). Além disso, os ganhadores se igualarão aos germânicos, únicos, até o momento, a levantarem a taça da Copa do Mundo entre homens e mulheres.

Novo apagão de energia atinge Fortaleza


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Novo apagão no fornecimento de energia elétrica ocorreu, na madrugada deste sábado (19), na região metropolitana de Fortaleza. A falta de energia durou cerca de uma hora e meia, e o serviço começou a ser restabelecido por volta das 6h da manhã. A causa do apagão está sendo investigada.

No início da manhã deste sábado, a falta de energia provocou transtornos no trânsito. Semáforos desligados geraram engarrafamento de veículos em diversos bairros da capital cearense.

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De acordo com a Enel, empresa responsável pela distribuição de energia no Ceará, a interrupção foi provocada pelo desarme da linha de transmissão da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobras. Em função da oscilação da rede, o sistema foi desligado, segundo a Enel. 

Em nota à Agência Brasil, a Eletrobras declarou que a falha foi provocada na parte da linha compartilhada que pertence à Enel. “O problema ocorreu no setor de 69kV, portanto, sob responsabilidade da Enel Ceara”, declarou a companhia.

Essa semana, outro apagão atingiu os moradores de Fortaleza e de grande parte do país. De acordo com apurações preliminares, a falha no fornecimento de energia ocorreu em uma linha localizada em Quixadá, no Ceará. A linha pertence à Chesf.

Posicionamento das empresas

“A Enel Distribuição Ceará esclarece que, após um desarme na linha da empresa transmissora que atende o Ceará, a companhia identificou um desligamento também em sua linha de transmissão de 69 KV, o que causou a interrupção no fornecimento de energia para alguns clientes nas regiões metropolitana e Fortaleza nesta madrugada. O desligamento na rede da distribuidora trata-se de processo normal de proteção do sistema elétrico, que ocorre após alguma oscilação na rede. A Enel restabeleceu a energia para todos os clientes de forma gradativa em pouco mais de uma hora, até 5h57, e trabalha em conjunto com a Chesf para apurar a dinâmica dos eventos”. 

“A Eletrobras esclarece que o desligamento ocorrido neste sábado (19), às 4h28, na região metropolitana de Fortaleza, teve origem em defeito na subestação Pici II, em setor sob responsabilidade da Enel Ceará. A subestação é compartilhada entre a Eletrobras Chesf e a distribuidora Enel Ceará, no qual o setor de 69kV é de responsabilidade da Enel Ceará e o setor de mais alta tensão (230 kV), de responsabilidade da Eletrobras Chesf. O problema ocorreu no setor de 69kV, portanto, sob responsabilidade da Enel Ceará. Imediatamente após o desligamento, a Eletrobras Chesf informou a disponibilidade de todos os seus ativos ao Operador Nacional do Sistema, procedendo o restabelecimento do setor de 230kV, logo após autorização da Enel Ceará”.

Economistas sugerem planejamento após renegociações do Desenrola


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Com R$ 8,1 bilhões de dívidas bancárias renegociadas, segundo balanço mais recente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o programa Desenrola completou o primeiro mês na última quinta-feira (17) com 985 mil clientes atendidos.

Apesar do sucesso da iniciativa, que será expandida para débitos não bancários nas próximas semanas, economistas recomendam cuidados com o consumidor que limpa o nome.

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A principal crítica diz respeito à falta de educação financeira na primeira fase do programa, que retirou dos cadastros negativos dívidas de até R$ 100 e está refinanciando débitos com instituições financeiras de clientes que ganham até R$ 20 mil. Sem o planejamento devido, advertem os economistas, o alívio pode durar pouco, com o correntista endividando-se novamente.

O principal ponto de atenção diz respeito aos débitos de até R$ 100. Como condição para aderirem ao Desenrola, as instituições financeiras limparam o nome de quem devia até esse valor, mas os débitos não deixaram de existir, continuando a ser corrigidos com juros.

“Essa medida teve como objetivo liberar o consumo. Quando há a desnegativação, o consumidor pode voltar a fazer crediário, mas isso não implica a quitação da dívida”, esclarece o professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga,. Com juros médios de 59,9% ao ano no crédito a pessoas físicas, segundo o dado mais recente do Banco Central, esses débitos dobram em um ano e meio.

Cadastro negativo

Segundo a Febraban, cinco milhões de registros de dívidas de até R$ 100 foram retirados dos cadastros negativos até 27 de julho deste ano, quando o processo foi encerrado.

Na maior parte dos casos, os débitos nesse valor dizem respeito a contas esquecidas nas instituições financeiras sobre as quais continuam a incidir tarifas. No entanto, muitos correntistas nem sequer chegaram a saber da existência desses débitos porque não verificaram o extrato das contas ou das carteiras virtuais.

“Na realidade, todo mundo precisa ter muito cuidado. A primeira providência, sendo retirado do cadastro de inadimplentes, é imediatamente quitar essa dívida de pequeno valor o mais rapidamente possível”, alerta o coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira.

Educação financeira

Em relação à Faixa 2 do Desenrola, os economistas concordam com a necessidade de planejamento por parte dos correntistas para não se endividar após a renegociação.

“Para quem parcelou débitos, o melhor a fazer é honrar esses compromissos renegociados. A ideia é primeiramente quitar esses compromissos para depois, se for o caso, se endividar”, argumenta Teixeira.

“Se na renegociação a parcela ficar muito baixa, permitindo que, com segurança, volte a consumir imediatamente, pode fazer isso, mas dentro de um planejamento muito responsável”, acrescenta.

Para o professor Gilberto Braga, a principal crítica ao Desenrola, até agora, diz respeito à falta de um programa de reeducação financeira. Embora alguns bancos promovam campanhas de esclarecimento por meio de vídeos para quem renegocia os débitos, essa não é uma condição obrigatória para aderir às renegociações.

“O Desenrola oferece uma solução plausível para a dívida, mas não vem acompanhado de um processo de reeducação financeira. Acho que seria interessante que se colocasse à disposição uma forma de ajuda para as pessoas poderem se programar melhor em relação a seus orçamentos”, salienta Braga.

A portaria que criou o Desenrola prevê cursos de educação financeira apenas para a segunda etapa do programa, que oferecerá descontos para a Faixa 1, que engloba dívidas não bancárias. Os cursos serão ofertados na plataforma eletrônica construída pela B3 (bolsa de valores brasileira) que leiloará os descontos oferecidos pelas empresas, mas não serão necessários para aderir aos parcelamentos. O cliente pode inclusive começar a assistir às aulas e abandonar o curso, sem impedimento para as renegociações.

Prevista para ser lançada em setembro, a faixa 1 abrange devedores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ou de renda mensal até dois salários mínimos com débitos de até R$ 5 mil com empresas de fora do sistema financeiro. A categoria abrange concessionárias de água, energia e gás e crediário em comércio.

Golpes

Outro ponto a que os correntistas precisam estar atentos dizem respeito aos golpes. Desde o lançamento do Desenrola, fraudadores virtuais enviam links por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens que oferecem falsas renegociações. Quem clica corre o risco de ter o celular ou computador hackeado ou de entrar numa página falsa, fazer a renegociação e transferir dinheiro a criminosos.

Nesta fase do Desenrola, cabe ao correntista procurar as instituições financeiras para manifestar interesse em renegociar dívidas. Sempre pelos canais oficiais: aplicativo, sites ou atendimento presencial nas agências, sem jamais atender ligações de números desconhecidos ou clicar em links enviados.

“O Desenrola é um programa passivo. A iniciativa é do devedor em procurar uma das fontes oficiais para a renegociação. Não existe iniciativa no sentido contrário, de o credor abordar o devedor”, finaliza Braga.

Estereótipo da pessoa em situação de rua precisa acabar, defende líder


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Com a invenção das mídias sociais e dos aparelhos celulares, os movimentos sociais ganharam ferramentas para facilitar o diálogo entre os integrantes e dar projeção a suas reivindicações e denúncias. O que faz com que se pense como era a comunicação de um movimento em particular antes de tudo isso, como o das pessoas em situação de rua, que têm menos recursos à disposição. Um desafio, de fato, para as articulações em coletivo.

No Dia Nacional da Luta da População em Situação de Rua, comemorado neste sábado (19), também ocorre outra dúvida. Muitas autoridades do poder público prometem divulgar serviços a esse grupo populacional, mas de forma online, o que evidencia que talvez as autoridades ainda precisem compreender e aprimorar dinâmicas desse contexto.

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Conforme destaca Edvaldo Gonçalves, coordenador estadual do Movimento Nacional de Lutas da População em Situação de Rua, há muita descrença em torno do potencial da população em situação de rua para se mobilizar. Na prática, o movimento de luta, classifica, é “atípico” por não ter recursos, e que “sobrevive pela força, pela vontade”. Na época em que o celular ainda não existia, o jeito era repassar informes no boca a boca, estratégia que resistiu aos tempos, devido à realidade de parcela significativa do grupo.

“A gente tem dois movimentos em nível nacional. Formados por quem? Pela rua. Depois é que a gente chamou os técnicos para participar”, disse.

O encontro que deve reunir lideranças de todo o Brasil deve ocorrer de 27 a 29 de outubro, em Praia Grande, na Baixada Santista, litoral sul de São Paulo.

O estereótipo da pessoa em situação de rua precisa acabar, na opinião de Gonçalves. “Eles têm uma visão da rua como um doido, um cachaceiro, todo sujo. Tem uma coisa que eu brigo muito, que é o fato de que, quando vai se falar sobre qualquer coisa da rua, se coloca uma pessoa toda suja, mal-acabada. A rua não é isso. Quem anda assim geralmente tem algum transtorno mental, e a rua tem muito disso”, argumenta.

O representante do movimento comenta que se nota, por todos os cantos, o crescimento da aporofobia, termo que designa a aversão a pobres, principalmente em municípios em que a direita predomina. Esse aspecto tem rendido contestações por parte de uma figura que acabou se tornando um símbolo da luta por quem tem o direito à moradia negado, o padre Júlio Lancelotti, que mantém um projeto na capital paulista, no qual trabalha incansavelmente.

Gonçalves viveu 30 anos na rua, período que, segundo ele, trouxe uma lição sobre suscetibilidade e o que o move e no qual sempre se engajou ativamente. “A gente aprende. Eu saí da rua, mas, um dia, posso voltar de novo. A gente saiu da rua, mas a rua não saiu da gente. Então, luta pela política pública. A rua é muito marginalizada. Todas problemáticas que acontecem em uma cidade, a culpada é a rua. Não se culpa a sociedade, se culpa a rua. É a rua quem paga primeiro”.

O líder ainda questiona que o que define o tratamento dado a cada pessoa é a presença ou ausência de moradia. “A diferença é ter casa ou não ter casa. O que usa [drogas ilícitas] e tem casa é melhor do que o que usa na rua? O que rouba e tem casa não é considerado ladrão?”, provoca.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 11,4 milhões de imóveis vazios em todo o país. O dado foi divulgado em junho deste ano. Somente na capital paulista, há cerca de 590 mil imóveis vagos, quantidade que corresponde a quase 20 vezes a de indivíduos em situação de rua.