Câmara realiza sessão em homenagem à Marcha das Mulheres Indígenas


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A Câmara dos Deputados realizou, nesta segunda-feira (11), uma sessão solene em homenagem à III Marcha das Mulheres Indígenas. Convidadas a participar do evento, centenas de mulheres de todo o país lotaram o plenário da Casa, ocupando os assentos destinados a parlamentares e discursando no palanque em defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos originários.

Organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), a marcha deve reunir, em Brasília, até quarta-feira (13), cerca de 5 mil representantes dos povos indígenas, além de convidadas de outros países. Com o tema Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade Através das Raízes Ancestrais, a marcha marca também a continuação da luta do movimento indígena contra o garimpo ilegal e em favor da demarcação das terras da União de usufruto exclusivo indígena.

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“O tema da nossa marcha não é só um tema. É uma luta pela nossa existência; pela nossa vida”, explica a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. “Nossa marcha é em defesa da biodiversidade, para que possamos não só manter nossos direitos, mas também o respeito aos nossos modos de vida”, acrescentou a ministra ao avaliar os últimos 6 anos como um “período tenebroso para os direitos dos povos indígenas”.

Brasília, DF 11/09/2023  III Marcha das Mulheres Indígenas, que ocorre no Complexo Cultural Funarte.  O tema do evento é “Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais”.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

III Marcha das Mulheres Indígenas, no Complexo Cultural Funarte – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“As mulheres indígenas estão aqui, em Brasília, para colocar suas demandas e continuar contribuindo para o bem-estar de todos os seres vivos”, disse a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, durante a sessão solene, cuja abertura contou com a cantora amazonense Djuena Tikuna entoando os versos do Hino Nacional adaptados à língua de seu povo.

Autora do requerimento para que Câmara homenageasse a Marcha das Mulheres Indígenas, a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) leu o discurso enviado pelo presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-MG). No texto, Lira defende que a marcha representa não só às comunidades originárias, “mas a todos os brasileiros que zelam pela diversidade ambiental e cultural e pelo país e pelo planeta”.

Brasília, DF 11/09/2023  III Marcha das Mulheres Indígenas, que ocorre no Complexo Cultural Funarte.  O tema do evento é “Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais”.  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

III Marcha das Mulheres Indígenas, no Complexo Cultural Funarte – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“A Câmara dos Deputados está atenta às demandas das mulheres indígenas. Acreditamos no diálogo e compartilhamos a certeza de que a preservação dos biomas e a exploração sustentável de suas possibilidades de [geração de] emprego e renda estão fundamentalmente ligadas à manutenção de nossa própria existência como seres humanos”, sustentou Lira. Ainda no texto lido por Célia Xakriabá, Lira é categórico ao afirmar que “o Parlamento também deve proteger, na forma da lei, o direito que assegura a integridade do território com dignidade de seus habitantes”.

Uma das representantes dos povos do bioma Mata Atlântica, a cacica Eliara Antunes, da aldeia Yaka Porã, da Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, destacou a importância da representatividade indígena no Parlamento, em uma legislatura que conta com cinco indígenas eleitos deputados federais.

“Este é um dia muito importante para nós, mulheres indígenas. É uma honra e imensa alegria estarmos aqui, ocupando este espaço, [que] por muitas vezes tentaram violar nossos direitos”, disse a cacica.

Amistoso da seleção pré-olímpica de futebol em Marrocos é cancelado


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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que o amistoso entre as seleções masculinas pré-olímpicas (sub-23) de Brasil e Marrocos, que seria disputado na tarde desta segunda-feira (11), na cidade marroquina de Fez, foi cancelado. O anúncio foi feito pela federação africana devido o terremoto que atingiu o país na sexta-feira (8) e matou pelo menos 2,1 mil pessoas.

A delegação brasileira está concentrada a cerca de 700 quilômetros do epicentro do terremoto, que atingiu 6.8 graus na escala Richter. Apesar da distância, jogadores e comissão técnica relataram terem sentido o tremor, ainda que em segurança.

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Segundo a nota divulgada pela CBF, a decisão da federação marroquina de cancelar o amistoso desta segunda se deu em razão da comoção nacional pela tragédia. O Rei Mohammed VI decretou três dias de luto. Mais cedo neste domingo (10), chegou a ser anunciado que o jogo ocorreria com portões fechados.

O duelo seria o segundo entre as equipes em Fez. O primeiro foi disputado na última quinta-feira (7), com vitória marroquina por 1 a 0. Os jogos servem de preparação para o Pré-Olímpico de futebol masculino, que será em janeiro. Somente duas seleções da América do Sul se classificam à Olimpíada de Paris, na França. O Brasil é o atual bicampeão da modalidade.

Apoio

A Embaixada do Brasil em Rabat, capital de Marrocos, pode ser contatada pelo telefone +212 661 16 81 81 (inclusive WhatsApp). Outro canal é o plantão consular do Itamaraty, no telefone +55 (61) 98260-0610 (também Whatsapp). Não há notícias de brasileiros entre as vítimas da tragédia.
 

Com 600 mil visitantes, Bienal do Rio vende 5,5 milhões de livros


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Mais de 600 mil pessoas passaram pelo Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, na edição comemorativa de 40 anos da Bienal do Livro, que terminou neste domingo (10). Cerca de 5,5 milhões de livros foram vendidos, segundo balanço apresentado hoje em coletiva de imprensa. 

Em 2019, foram comercializados aproximadamente 4 milhões de livros e, em 2021, em edição reduzida em função da covid-19, o número de livros vendidos na Bienal do Rio de Janeiro alcançou 2,5 milhões de exemplares. A média anterior de seis livros por pessoa foi superada, atingindo nove livros comprados por visitante.

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“Esse é o Brasil que a gente quer”, salientou a diretora da GL events, Tatiana Zaccaro, responsável pela organização da feira. O presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), Dante Cid, acrescentou que todos os segmentos foram bem-sucedidos. Ele destacou o empenho dos organizadores em tornar o evento “mais diverso e inclusivo” possível, com representantes de toda a sociedade brasileira.

Na avaliação dos organizadores, a Bienal se consolidou como o maior festival de literatura, cultura e entretenimento do país, estimulando o hábito da leitura não só entre crianças, mas também entre os jovens. “A Bienal é um patrimônio do Rio de Janeiro”, apontou Tatiana Zaccaro. Para Dante Cid, o evento cumpriu o papel de demonstrar a preciosidade que é o livro.

Tatiana lembrou que mais de 100 mil crianças de escolas da rede pública visitaram o evento e, muitas delas, adquiriram um livro pela primeira vez, graças aos cartões distribuídos com essa finalidade para estudantes e professores pelas secretarias municipal e estadual de Educação. Os investimentos com essa finalidade somaram R$ 13,5 milhões. 

Rio de Janeiro (RJ), 10/09/2023 – Público durante o último dia da 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Público durante o último dia da 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Movimento

Foram dez dias de ruas movimentadas, alegria por encontrar os autores preferidos e pessoas saindo da feira com sacolas cheias de livros. Os painéis da Bienal ganharam, nesta edição, novos formatos e espaços para o público apaixonado por histórias. Com mais de 497 editoras, selos e distribuidoras e uma diversidade de títulos, o tíquete médio de gastos com livros ficou em torno de R$ 200.

“Estamos falando do livro como ponto de partida ou chegada, a partir de uma transversalidade com os mais diversos tipos de mídia, porque os assuntos tratados no livro físico também viram séries, filmes, games, música, e isso garante que as histórias possam atrair mais pessoas formando novos leitores, já que o livro é sempre o protagonista”, ressaltou Tatiana.

Com área ocupada de 90 mil metros quadrados, 10% maior que na edição de 2019, no período anterior à pandemia da covid-19, a Bienal 2023 recebeu mais de 380 autores na programação oficial.

Rio de Janeiro (RJ), 10/09/2023 – Público durante o último dia da 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Público durante o último dia da 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Novidades

As crianças que visitaram a Bienal encontraram um universo lúdico chamado Uma Grande Aventura Leitora, em um espaço de 600 metros quadrados. Ali, foram comemorados os 60 anos da personagem Mônica, da obra do escritor e ilustrador Maurício de Sousa. 

Outra novidade da Bienal foi o Baile de Máscaras da Julia Quinn, promovendo uma festa de época como ocorre nos episódios de Os Bridgertons, sucesso dos livros da autora inglesa que viraram série em vídeo. “O público curtiu e veio fantasiado para participar do baile”, relembrou Tatiana Zaccaro.

A Bienal 40 anos lançou o espaço Páginas na Tela, com curadoria da cineasta e escritora Rosane Svartman, e Páginas no Palco, coordenado por Bianca Ramoneda. São formatos que se cruzam entre livro, audiovisual e teatro. No Sextou com Simas, o professor e autor Luiz Antonio Simas recebeu convidados, transformando o Café Literário em um verdadeiro boteco carioca. Neste espaço, a curadoria recebeu autores como Ailton Krenak e Conceição Evaristo.

Os fãs de histórias em quadrinhos tiveram a oportunidade de conhecer ao vivo quadrinistas independentes de todo o Brasil no novo espaço batizado Artists Alley. A Bienal foi palco também do Rio International Publishers Summit, promovido pelo Snel, com objetivo de conectar os protagonistas do mercado editorial e discutir temas urgentes para o setor. O fórum tratou dos desafios da transformação tecnológica, uso da inteligência artificial e preservação do direito autoral, entre outros temas.

Corinthians vence Ferroviária e leva o Brasileiro Feminino pela 5ª vez


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Pela quinta vez na história, sendo a quarta consecutiva, o Corinthians está no topo do futebol feminino nacional. Neste domingo (10), as Brabas do Timão superaram a Ferroviária por 2 a 1, de virada, no segundo jogo da final da Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro, diante de 42.566 torcedores que lotaram a Neo Química Arena, em São Paulo. Foi o maior público de uma partida entre clubes da modalidade na América do Sul. No jogo de ida, há uma semana, as equipes não saíram do zero na Arena da Fonte Luminosa, em Araraquara (SP).

O título assegurou às alvinegras uma premiação de R$ 1,2 milhão, a maior já oferecida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao campeão. O valor é 20% superior ao de 2022. As Guerreiras Grenás – que perderam a chance de conquistar o tricampeonato nacional – terão direito a R$ 600 mil pelo vice.

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A decisão marcou também o último jogo de Arthur Elias à frente do Corinthians na Neo Química Arena – a equipe feminina atua, normalmente, no Parque São Jorge, também na capital paulista. Foi a 17ª vez que o técnico dirigiu as Brabas no principal estádio alvinegro, com 17 vitórias. Ele é o novo treinador da seleção brasileira da modalidade, em substituição a Pia Sundhage. Elias irá se despedir do Timão após a Libertadores Feminina, a ser disputada na Colômbia, em outubro.

A conquista coroa mais uma campanha quase perfeita do Corinthians. Em 21 jogos, foram 17 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas, com 66 gols marcados e 12 sofridos.

Jogadas

Apesar da pressão inicial corintiana, foi a Ferroviária que, na primeira investida, balançou as redes. Aos nove minutos da etapa inicial, Laryh dominou pela esquerda, viu a também atacante Mylena Carioca entrando na área e cruzou para a camisa 16, que aproveitou o quique da bola para cabecear na saída da goleira Lelê, abrindo o marcador para as visitantes.

O Corinthians dominava as ações, mas encontrava dificuldades para finalizar. Até que a atacante Millene, com um chute da intermediária, obrigou Luciana a uma grande defesa, mandando para fora. Após a cobrança do escanteio pela esquerda, a zagueira Tarciane desviou e parou novamente na goleira da Ferroviária. No tiro de canto seguinte, não teve jeito. Aos 41 minutos, a meia Duda Sampaio colocou a bola na cabeça da centroavante Jhennifer, que deixou tudo igual em São Paulo.

As Brabas do Timão mantiveram a postura ofensiva na volta do intervalo e foram recompensadas. Aos 12 minutos, Millene tomou a bola da lateral Barrinha pela direita, avançou e cruzou para Tamires. Lateral de ofício, mas ponta-esquerda na formação de Arthur Elias, a camisa 37 apareceu na área como uma verdadeira atacante e desviou para as redes, virando o marcador para o Corinthians.

As Guerreiras Grenás tentaram sair mais para o jogo, cedendo espaços para as alvinegras contra-atacarem. A equipe da casa teve boas chances para ampliar o placar, com Jhennifer e a meia Gabi Zanotti, mas Luciana salvou a equipe do interior paulista. Seguro na marcação, o Corinthians não correu riscos e controlou a partida até o apito final, que deu início à festa na Neo Química Arena.
 

Único oratório público do Rio está em fase final de restauração


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Depois de duas décadas, o Rio de Janeiro terá, a partir de outubro, o Oratório da Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança restaurado. A construção do final do século 18 é uma obra barroca feita com materiais vindos da Europa, seguindo técnica arquitetônica do século anterior, quando a cidade já era a capital do Brasil Colonial. O projeto de restauração, que está em andamento, será concluído no fim deste mês. A reinauguração está marcada para 15 de outubro.

O oratório pertence à Igreja da Venerável e Arquiepiscopal Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, na Rua do Carmo, número 38, no centro da cidade. Um texto de 1979, assinado pelo arquiteto Augusto Silva Teles, aponta, a partir de escritos históricos, que o oratório é o último exemplar de devoção católica em área pública na cidade do Rio de Janeiro.

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“Ele foi o único que ficou funcionando completamente para as procissões públicas e as devoções à Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança, que é a santa que ocupa esse oratório. Há uma importância histórica de se restaurar e devolver isso para a população como um todo, não só como ornamento histórico e cultural, mas também a devolução a uma devoção católica, para quem é devoto da Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança”, disse a arquiteta, conservadora e urbanista Yanara Costa Haas, em entrevista à Agência Brasil.

Rio de Janeiro (RJ), 04/09/2023 – Obra de restauro do Oratório da Nossa Senhora da Boa Esperança, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Obra de restauro do Oratório da Nossa Senhora da Boa Esperança, localizado no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A relíquia da arte sacra colonial tem estrutura em alvenaria e pedra, com fachadas para dois lados, ricamente decorada com ornatos em massa, azulejos raros holandeses e alemães brancos e azuis e cantaria, que são blocos de rocha talhados. O oratório está assentado sobre um arco de pedra sobre a porta para uma servidão, como é chamada a passagem entre a antiga Catedral e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, que ligava a Rua Primeiro de Março com a Rua do Carmo. Atualmente, a servidão é fechada com portões nas duas extremidades, sendo de uso exclusivo das duas igrejas.

No alto do oratório tem uma cruz e embaixo dela tem uma redoma onde fica a imagem da Nossa Senhora. A base é toda ornamentada com azulejos. “Em Ouro Preto, Minas Gerais, tem muitas igrejinhas com oratórios em esquinas. Você vai passando pela cidade olhando para cima e encontra vários desses oratórios”, comentou Yanara.

Restauro

A restauração começou no dia 10 de julho de 2023, após passar 60 dias de prospecções diagnósticas e aprovação do projeto de intervenção submetido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (Inepac) e ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

“Todas as prospecções, inclusive as laboratoriais, nós levamos 60 dias e estamos levando 60 dias para fazer o restauro. Encontramos nessa estrutura muitas partes em cimento, a estrutura originariamente é feita com tijolos maciços e totalmente revestida com argamassas de cal. O que encontrei foram muitas argamassas de cimento no lugar onde a cal já não existia. Fizemos toda a remoção, inclusive de ornatos”, relatou.

Yanara Costa Haas, da empresa Restauro Carioca, está à frente da equipe, que conta ainda com George Schliaticas, na consultoria em restauração; Geraldo Filizola, na consultoria em estruturas históricas; Clara de Freitas, restauradora chefe responsável pelas obras; os restauradores Leandro Fosse e Alex Yoshikawa; e o restaurador ajudante Júlio César Olímpio. “O nosso objetivo junto ao proprietário é resgatar o espaço que estava há 20 anos envolto em um andaime para pesquisas dos sistemas construtivo e de ornamentação”, revelou, acrescentando que, neste período, a imagem da santa ficou guardada dentro da igreja.

A arquiteta responsável atuou, por mais de 30 anos, como conservadora do Iphan e, nos últimos 11 anos, coordena a área de arquitetura do Sítio Roberto Burle Marx. Ela já trabalhou no restauro dos elementos pétreos do Palácio Itamaraty, no centro do Rio; na restauração da escultura em mármore carrara Meteoro do lago externo no Itamaraty, em Brasília; e na restauração do prédio da Agência Central dos Correios, na área central da capital fluminense.

Segundo ela, Pedro Álvares Cabral transmitiu a devoção católica que tinha por Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança ao chegar ao Brasil. “Essa devoção faz parte então de ter se criado um oratório para uma Nossa Senhora do Cabo da Boa Esperança. Os estudos históricos dizem que Cabral foi a primeira pessoa a trazer para o Brasil a devoção à imagem da Nossa Senhora”, completou.

A arquiteta destacou que o oratório não estava em risco de desabamento. “Ele estava íntegro, tinha uma fissura na cobertura, porque a cobertura em si abriu por conta do material que estava lá. Agora a gente já fechou e fez a remoção de toda a argamassa espúria e um trabalho desde o tijolo com uma argamassa nova nas mesmas técnicas originais”, afirmou Yanara.

Durante os últimos 20 anos, o Oratório da Nossa Senhora da Boa Esperança ficou protegido por tela e um andaime suspenso para acesso à fachada da Rua do Carmo.

Pernambucana vai do sonho de ser Marta ao pódio no ciclismo e triatlo


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Não é incomum que atletas jovens militem em diferentes modalidades antes de decidirem qual caminho seguirão na carreira. A pernambucana Kawani Sofia Carneiro, de 15 anos, é um exemplo. Nesta edição dos Jogos da Juventude, em Ribeirão Preto (SP), a garota nascida em Olinda (PE) e que mora em Paulista (PE) competiu no ciclismo e no triatlo – e foi ao pódio em ambos.

A competição, que reúne cerca de quatro mil atletas entre 15 e 17 anos, de escolas públicas e privadas de todo o país, segue até o próximo dia 16, com transmissão da TV Brasil (confira, no fim do texto, a programação da semana que vem).

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Na primeira fase do evento, Kawani disputou medalhas no ciclismo. Conquistou três: bronze na prova de potência máxima (em que os atletas pedalam uma bicicleta fixa e ganha quem exercer maior potência), prata na de velocidade e ouro na de resistência.

“Para falar a verdade, eu não estava muito confiante, porque eu sempre tinha as concorrentes em mente e sabia que elas eram um pouco mais fortes por conta da idade, mas se estou aqui é porque mereço. Na última volta [da prova de resistência], peguei a esquerda, fiquei atrás um pouco e decidi no sprint [explosão de velocidade]. Usei a cabeça”, disse Kawani, ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

A pernambucana, porém, ainda tinha mais medalhas a buscar na recém-finalizada segunda fase dos Jogos, desta vez no triatlo, uma das cinco modalidades que estrearam no evento. A jovem foi ao pódio duas vezes, com um bronze (equipes mistas) e uma prata (individual). Nesta última, Kawani também brilhou no sprint, agora na corrida, ultrapassando a paulista Maria Luiza Oliveira quase na linha de chegada.

“O último gás veio justamente da minha treinadora, a Ceça, que estava o tempo todo me acompanhando e, também, a torcida que me ajudou muito. Não posso mentir: não estava acreditando muito em mim mesma, mas, graças aos meus técnicos e aos meus fãs, consegui essa medalha”, comemorou a jovem.

Da bola à bicicleta

Kawani já acumulava medalhas em competições nacionais de base no ciclismo e no triatlo antes dos Jogos da Juventude. Os resultados a credenciaram a ser contemplada pelo Bolsa Atleta (programa federal de patrocínio individual), na categoria Estudantil. Ela também recebe o Bolsa Atleta do estado de Pernambuco. Na infância, porém, o esporte que a encantava era outro. Torcedora do Sport, ela começou no futebol, aos seis anos.

“Queria ser uma Marta. Ela sempre será uma referência para mim, assim como a Formiga, e tem um lugar no meu coração para esse esporte. Depois eu fui para a natação, porque meu irmão tinha asma e minha mãe tinha muito medo que eu tivesse. Então, ela queria que todos nós nadássemos, pois ajuda a melhorar. Mas eu conheci o ciclismo e em 2019, justamente nos Jogos da Juventude, em Blumenau [SC], consegui três medalhas. Foi aí que a minha paixão pela bicicleta falou mais alto”, recordou a pernambucana.

A garota concilia a rotina de acordar cedo e pegar ônibus para ir e voltar da escola com treinos de natação, três vezes por semana, e atividades na casa da técnica Ceça, onde pedala no rolo fixo, um equipamento fixado ao eixo da roda traseira da bicicleta para garantir estabilidade, que compensa a dificuldade para se exercitar na estrada.

“A família dela é bem humilde, ela ajuda a mãe com o Bolsa Atleta. O que a gente pode fazer é chegar junto, [auxiliar com] material esportivo, coisas que ela ainda não tem próprias. Graças a Deus, ela conseguiu as bolsas estadual e federal, por mérito dela”, destacou Ceça, em vídeo publicado no canal do Time Brasil no YouTube.

Apesar de se destacar em duas modalidades, está chegando a hora de Kawani decidir qual delas proporcionará o melhor caminho rumo ao sonho de representar o Brasil em uma Olimpíada. Segundo Ceça, a jovem não tem dúvidas de que o futuro está na bicicleta.

“A Kawani é nata e tem um futuro brilhante. No que se dedicar, ela vai desenvolver bem. Estamos entrando na fase de maturação, que temos de escolher as provas específicas, pois não dá para ser boa em tudo. Se quer pensar em seleção brasileira, não dá para abraçar o mundo. E hoje ela tem consciência de que a especialização é no ciclismo”, concluiu a treinadora.

Reta final

A segunda fase dos Jogos da Juventude chegou ao fim neste domingo (10). A partir de terça-feira (12), tem início a etapa final do evento, com sete modalidades: esgrima, tiro com arco, vôlei de praia, natação, águas abertas, handebol e basquete.

Transmissões da TV Brasil

Terça-feira (12)

9h – natação

 

Quarta-feira (13)

9h – natação

 

Quinta-feira (14)

9h – natação

16h – finais do vôlei de praia

 

Sábado (16)

11h – finais do handebol